Esportivo de 1965 com motor Vantage foi restaurado após quase 50 anos guardado; exemplar é considerado um dos mais raros da série

Um Aston Martin DB5 de 1965, comprado por apenas £ 900 (cerca de R$ 5,5 mil em valores aproximados, pela cotação atual), no início da década de 1970, voltou a rodar após passar por restauração completa conduzida pela Aston Martin Works, divisão histórica da montadora britânica.
O trabalho, iniciado no fim de 2022, consumiu cerca de 2,5 mil horas e devolveu ao carro as especificações originais de fábrica.

O proprietário é o galês John Williams, hoje com mais de 70 anos. Em 1973, aos 19, ele viajou do norte do País de Gales até Londres, para comprar o veículo que considerava o carro dos sonhos.
Soldador e dono de oficina, Williams juntou dinheiro com horas extras e adquiriu o DB5 de um anúncio publicado na revista Motorsport. O modelo contava com motor Vantage, carburadores Weber, rodas raiadas e vidros elétricos.
O esportivo foi usado como carro de uso diário por quatro anos. Em 1977, quando Williams passou a trabalhar no Oriente Médio, o veículo ficou guardado. Mesmo com ofertas de compra ao longo das décadas, a família decidiu mantê-lo. “Houve momentos em que o dinheiro fez muita falta, mas resistimos”, relatou a mulher, Sue Williams.

A restauração ocorreu em Newport Pagnell, cidade de Buckinghamshire na qual mais de 13 mil veículos da marca foram fabricados ao longo de 50 anos. O chassi e a estrutura Superleggera passaram por recuperação completa, e cada painel da carroceria de alumínio foi moldado manualmente, seguindo os métodos originais.
O exemplar é considerado um dos mais raros da série. Dos 1.022 DB5 produzidos entre 1963 e 1965, apenas 39 saíram de fábrica com motor Vantage, volante à direita e pintura original Silver Birch.
A procedência inclui ainda um antigo proprietário de St. George’s Hill, em Surrey, região que abrigou celebridades como John Lennon e Ringo Starr.
Para o presidente da Aston Martin Works, Paul Spires, o projeto simboliza a preservação da história da marca. Segundo ele, apesar do estado crítico em que o carro chegou, a equipe tinha plena condição de devolvê-lo a um padrão superior ao original.
Spires avalia que, se colocado à venda hoje, o DB5 poderá alcançar valor próximo de £ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 6,3 milhões.
Ao reencontrar o carro concluído, quase cinco décadas depois de guardá-lo, John Williams definiu a experiência como “inacreditável”. “Demorou muito, custou caro, mas valeu cada centavo. Minha menina está de volta à antiga glória”, afirmou.

No Brasil, a marca é representada pela UK Motors, empresa formada por grupos ligados aos setores premium e esportivo. A Aston Martin integra hoje o grupo Aston Martin Lagonda, com sede em Gaydon, na Inglaterra, e atua em mais de 50 países, com foco também na transição para modelos eletrificados nos próximos anos.