MEIO AMBIENTE

Sapopemba centenária resiste no sertão de Cambury, litoral norte de SP

No Dia da Árvore, crianças conheceram a gigante da Mata Atlântica, na costa sul de São Sebastião; um abraço coletivo uniu 23 pessoas

Árvore ocupa área de preservação de 64 hectares do sítio Bacarira, em Cambury - Poio Estavski ApoioRP
Árvore ocupa área de preservação de 64 hectares do sítio Bacarira, em Cambury - Poio Estavski ApoioRP


Durante o encerramento das comemorações do Dia da Árvore (21), em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, mais de 20 crianças participaram de um abraço coletivo em torno da sapopemba, uma majestosa árvore de aproximadamente 400 anos, da espécie Sloanea, localizada no sertão de Cambury, na costa sul da cidade; a árvore ocupa área de preservação de 64 hectares do sítio Bacarira.

A sapopemba simboliza a resistência e a preservação da Mata Atlântica, que já cobriu grande parte do território brasileiro, mas, hoje, ocupa menos de 12% de sua área original. Com suas imponentes raízes tabulares, a árvore era utilizada pelos povos indígenas para transmitir sons a distância.

Sapopemba, ou sapobema, é uma palavra originada do tupi sau’pema, que significa raiz chata. A gigante raíz e o largo tronco, de 40 metros de circunferência, sustentam a árvore de cerca de 60 metros de altura. A história da região foi contada por Regina Valentim, ambientalista e empresária de turismo e hotelaria, aos alunos da escola municipal Sebastiana Costa Bittencourt, que fazem atividades de resíduos e educação ambiental do Coletivo ReUNA.



A palestra

Com o tema Árvores comem o quê?, a palestra explicou como, por meio da fotossíntese, as árvores "se alimentam" de luz solar, água, nutrientes do solo e dióxido de carbono da atmosfera, produzindo oxigênio. A ação ressaltou a importância das árvores na regulação climática e na manutenção da qualidade do ar. Regina Valentim, de 75 anos, destacou que iniciativas como essa são fundamentais para conscientizar a comunidade sobre a necessidade de proteger o que resta do bioma Mata Atlântica e evitar a devastação provocada por queimadas.

Queimadas no Brasil

A fumaça das queimadas, que consomem boa parte da vegetação do país, está sobrecarregando a atmosfera com monóxido de carbono, um gás tóxico e inodoro, que representa uma grave ameaça à saúde pública. A MetSul Meteorologia alerta para a alta concentração desse poluente em diversas regiões do Brasil, como Amazônia, Centro-Oeste, Sul e estado de São Paulo.

A invisibilidade do monóxido de carbono torna o problema ainda mais insidioso, já que sua presença pode passar despercebida, até que os sintomas de intoxicação apareçam. De acordo com o órgão meteorológico, a exposição prolongada a esse gás pode causar complicações respiratórias e, em casos graves, até a morte.



Em suas palestras, Regina lembra que a atmosfera é o ar que envolve a Terra e regula a temperatura e o clima. “As árvores são essenciais para manter a atmosfera saudável, pois absorvem dióxido de carbono, o que ajuda a reduzir o aquecimento global. Mas, quando ocorrem queimadas, todo esse processo é interrompido”, destacou.

Impactos das queimadas

A ambientalista também ressaltou que os alunos aprenderam, na palestra, que o fogo destrói as árvores, enche a atmosfera de fumaça e gases prejudiciais e impede que as árvores continuem "se alimentando" e liberando oxigênio. “Sem árvores, o ar que respiramos fica mais poluído, os animais perdem seus habitats e a floresta não consegue se recuperar. É por isso que é tão importante proteger as árvores da Mata Atlântica e impedir as queimadas, para que nossa floresta e atmosfera permaneçam equilibradas e cheias de vida”, completou.

Após a palestra, os alunos participaram de um abraço coletivo simbólico, para celebrar o papel vital das árvores na preservação da atmosfera. Foram necessárias 23 pessoas para circundar a gigante da Mata Atlântica.



Dia da Arvore
Abraço coletivo marcou a visita de crianças em comemoração do Dia da Árvore  no sítio Bacarira - Foto: ReUna ApoioRP

Sítio Bacarira

O sítio Bacarira foi fundado pelo ecólogo alemão Friedrich Widmer e por Regina Valentim. No local, desde 1978, são promovidas práticas de conservação para proteger a biodiversidade da região. Além disso, o sítio oferece hospedagem holística e ecológica, retiros, cozinha vegana e atividades culturais e artísticas.

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