Pinguim-de-magalhães tinha sinais de interação com rede de pesca, enquanto o trinta-réis-de-bico-vermelho apresentava alterações metabólicas

Boa notícia para os amantes de animais. Duas aves resgatadas pelo Instituto Biopesca este mês, no litoral sul de São Paulo, foram estabilizadas e seguiram para reabilitação. Um dos pacientes é um pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), resgatado em Peruíbe, em 5 de outubro. O outro é uma ave costeira conhecida como trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea), encontrado em Mongaguá, no dia 9 de outubro.
Segundo o Biopesca, o pinguim “adolescente” estava debilitado, com suspeita de interação com rede de pesca, uma vez que apresentava falhas nas penas. Já o trinta-réis apresentava alterações metabólicas e, consequentemente, magreza acentuada. Ambos receberam tratamento adequado, progrediram em suas condições clínicas e foram transferidos para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos do Instituto Gremar, em Guarujá, na terça-feira (15).
O trinta-réis-de-bico-vermelho é uma ave marinha costeira, que ocorre apenas na América do Sul. Eles possuem o hábito de se reunir em bandos enormes e bem barulhentos, com mais de cem indivíduos. Para se alimentar, apanham pequenos peixes ao mergulharem no mar em grande velocidade. Já os pinguins-de-magalhães são velhos conhecidos do litoral paulista, pois costumam aparecer por aqui entre o outono e a primavera. Diferentemente do que muitos pensam, essa espécie não habita áreas de gelo, mas, sim, regiões com temperaturas amenas, nas costas da Argentina, Chile, Uruguai e ilhas Malvinas (Falkland).
O Instituto Biopesca é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.
Esse projeto pretende avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O projeto é realizado desde Laguna, em Santa Catarina, até Saquarema, no litoral fluminense, dividido em 15 trechos. O Instituto Biopesca monitora o Trecho 8, compreendido entre Peruíbe e Praia Grande.
Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos, mas debilitados, ou mortos, entre em contato pelo telefone 0800 642 3341 (horário comercial) ou (13) 99601 2570 (WhatsApp e chamada a cobrar).