ALCATRAZES

Pesca ilegal ameaça vida marinha: polvos são resgatados vivos no litoral de SP

Equipe do ICMBio Alcatrazes encontrou mais de 600 metros de cabos e 46 potes, que continham polvos vivos; animais foram devolvidos ao mar


Esther Zancan
Publicado em 23/10/2024, às 16h44

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Polvos estavam dentro de potes presos a um cabo - Divulgação / ICMBio
Polvos estavam dentro de potes presos a um cabo - Divulgação / ICMBio


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, divulgou, nesta terça-feira (22), em suas redes sociais, um fato ocorrido dentro dos limites da área de conservação do chamado Refúgio de Alcatrazes, no mês de julho. No dia 20 daquele mês, durante atividade de monitoramento, uma equipe do instituto avistou indícios de pesca no interior da unidade, atividade essa ilegal e proibida. Tratava-se de um petrecho de pesca que utiliza potes para a captura de polvos.

De acordo com o ICMBio, mais de 600 metros de cabos e 46 potes foram recolhidos do mar. Nestes potes são colocados pesos, para que possam permancer submersos. Quando são recolhidos, os animais marinhos estão abrigados em seu interior. A boa notícia é que 16 polvos foram encontrados vivos e devolvidos ao mar. 

Para o PortalCosta Norte, Thais Rodrigues, chefe do ICMBio Alcatrazes, falou sobre o ocorrido.“Essa é uma atividade que eventualmente a gente flagra em Alcatrazes. Lembramos que a pesca de qualquer modalidade ali é proibida”. O instituto lembra que essa área protegida em Alcatrazes oferece ambiente seguro para que as espécies se desenvolvam e se reproduzam, contribuindo, inclusive, para a reposição do estoque pesqueiro no litoral norte de São Paulo. O instituto informou que não pode confirmar a identidades dos responsáveis pela pesca ilegal. 



Na carta náutica oficial da Marinha do Brasil, consta área no entorno do arquipélago de Alcatrazes na qual é proibida qualquer atividade de pesca e de ancoragem. Somente navegação de passagem é permitida, mesmo assim, respeitando a distância de 1 quilômetro.

O Núcleo de Gestão Integrada do Arquipélago de Alcatrazes (ICMBio Alcatrazes), responsável pela gestão das unidades de conservação Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes e Estação Ecológica (Esec) Tupinambás, é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),  autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima(MMA).

Arquipélago de Alcatrazes

Localizada a exatos 44 quilômetros (23 milhas, aproximadamente 50 minutos de lancha) de distância da praia da Barra do Una, na costa sul de São Sebastião, o Arquipélago de Alcatrazes abriga mais de 1.300 espécies, das quais 100 sofrem ameaça de extinção. Por lá, também se encontra o maior ninhal de fragatas (Fregata magnificens) do Atlântico Sul e é área de alimentação, reprodução e descanso para mais de 10 mil aves marinhas.



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Arquipélago de Alcatrazes: navegação de passagem é permitida há 1km de distância - Bruna Vieira Guimarães

Nas águas de Alcatrazes vive a maior quantidade de peixes do Sudeste do Brasil, das mais variadas formas e cores, já que  encontram ambiente ideal para  reprodução e crescimento. A visitação pública ao Refúgio de Alcatrazes somente pode ser realizada com empresas e condutores autorizados pelo ICMBio.

Outro aspecto interessante sobre Alcatrazes é sobre a sua origem geológica. Isso ocorreu no período conhecido como Quaternário, há 20 mil anos. Há indícios de que o arquipélago era ligado ao continente, uma vez que lá existem espécies da fauna e flora da Mata Atlântica. Nos quase 10.000 anos de união com o continente, Alcatrazes consistia no último trecho de terras montanhosas na costa e abrigo natural para diversos animais.



Mas, a partir dos últimos 12.000 anos, o clima do planeta  mudou, e o nível dos mares se elevou, o que separou Alcatrazes do continente. Dessa forma, as espécies de fauna e flora que ficaram presas na ilha iniciaram processo de adaptação às novas condições que o isolamento obrigou. Algumas se extinguiram, pelo excesso de competição e pela falta de espaço disponível. Outras, motivadas pelas modificações externas que o novo ambiente proporcionou, tiveram suas características alteradas por processo seletivo.

Origem do nome

Alcatrazes recebeu este nome devido a abundância destas aves, chamadas hoje de atobás (Sula leucogaster). Os atobás são conhecidos por seu comportamento atrevido e simpático, cujas colônias se reproduzem nos costões rochosos do arquipélago. Outra ave abundante é a fragata, cuja população local corresponde ao dobro da existente em todo o Caribe, além do albatroz e da gaivota.

O Arquipélago de Alcatrazes é formado pela ilha principal (com 196 hectares), denominada  Alcatrazes, pelas ilhas Sapata, Paredão, Porto ou Farol, e do Sul, além de quatro ilhotas não nominadas, cinco lajes (Dupla, Singela, do Paredão, do Farol e Negra) e dois  parcéis (recifes).



Alcatrazes na história

Em 1531, o navegador português Martim Afonso de Souza, fundador da Vila de São Vicente, conhecida como a primeira Vila do Brasil, em 1532, ancorou no Saco do Funil, na ilha principal do Arquipélago de Alcatrazes. Registros de bordo continham comentários extasiados com a quantidade de peixes e aves no local. Outro registro sobre Alcatrazes data de 1631, feito por João Teixeira Albernes, cosmógrafo do então rei de Portugal, Filipe III.

As ilhas do arquipélago serviram como pontos de referência para a navegação e para abrigo. Desde os primórdios da colonização brasileira, os navegadores tiveram em Alcatrazes uma orientação para suas rotas. Quando se aproximavam do arquipélago, fugindo de uma tempestade, raramente desembarcavam. Preferiam admirar a paisagem de suas embarcações. Eles ficavam também intimidados pelas formas inóspitas do relevo, que dificultavam a ancoragem. 

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