Mero de mais de 2 metros apareceu encalhado na praia da Enseada em Guarujá; Meros do Brasil diz que esse é o primeiro caso em São Paulo em 2025

Um peixe da espécie mero (Epinephelus itajara), também conhecido como "senhor das pedras", foi encontrado morto na noite de segunda-feira (11) na praia da Enseada, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O animal pode ultrapassar dois metros de comprimento e pesar mais de 400 quilos.
🐟 | Peixe gigante ameaçado de extinção é encontrado morto em praia do litoral de SP
— Portal Costa Norte (@costanortenews) August 12, 2025
📹: Reprodução;Guarujá Mil Grau pic.twitter.com/yw7UWY8nAj
Testemunhas registraram imagens do animal ainda próximo à água. A suspeita inicial é de que ele tenha morrido no mar e sido levado pelas correntes até a faixa de areia. De acordo com o biólogo Matheus Oliveira Freitas, coordenador de pesquisa do Instituto Meros do Brasil (IMB), este é o primeiro caso registrado em São Paulo, em 2025.
A pesca do mero é proibida no Brasil desde 2002, por estar na lista de espécies ameaçadas de extinção. Apesar do porte, o peixe não representa perigo para banhistas e costuma habitar recifes e águas profundas de regiões tropicais e subtropicais.
Casos semelhantes foram registrados em 2023 e 2024. Os avistamentos da espécie morta em 2024 foram nas cidades de Iguape, no litoral sul, Guarujá, Santos, São Vicente e Bertioga, na Baixada Santista, e Ubatuba, no litoral norte. Alguns exemplares foram encontrados ainda frescos, enquanto outros já estavam em fase de decomposição.

Segundo o Instituto Meros do Brasil, as mortes dessa espécie aumentam no final do inverno e início da primavera devido à queda da temperatura da água; temperaturas abaixo de 15°C reduzem a imunidade do peixe, que fica mais vulnerável a vírus e bactérias. Em 2024, medições chegaram a 13,9°C na região.
O coordenador de pesquisa do instituto explicou ao portal Costa Norte, nesta terça-feira (12), que além de São Paulo, um outro exemplar da espécie apareceu morto no mar do Paraná. Questionado sobre a temperatura do oceano neste ano, ele afirmou que os dados de medição estarão disponíveis somente em novembro.
Em entrevista à reportagem, na época em que surgiram vários peixes mortos no litoral, o oceanólogo Rodrigo Silvestre Martins, professor da Unifesp, explicou que o fenômeno da ressurgência também contribui para a mortalidade.
Ele corroborou com as informações do IMB e disse que ventos deslocam a água superficial para o alto-mar e trazem águas frias das profundezas para a costa, ultrapassando o limite térmico suportado pelo mero. "Como a mortalidade foi massiva e em um curto intervalo de tempo, o impacto das águas frias de ressurgência sobre essa mortandade me parece uma hipótese razoável", explicou.
O mero, conhecido também como bodete, canapú, badejão, merote ou “senhor das pedras”, na tradução do tupi, foi descrito pela primeira vez em 1822, a partir de um exemplar coletado aqui no Brasil. Pertence à família Epinephelidae juntamente com badejos, chernes e outras garoupas, é a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico, podendo alcançar aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesar mais de 400 quilos.
Segundo o Meros do Brasil, apesar do grande porte, são considerados dóceis e curiosos, e permitem muitas vezes, a aproximação orientada de mergulhadores.
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Ainda de acordo com o Meros do Brasil, o ciclo de vida da espécie tem início nos agregados reprodutivos: grandes cardumes formados pelos meros de dezembro a março, ano após ano. Neste período, eles migram da sua área de vida para as áreas de reprodução com o único propósito de procriar. Ou seja, em um ano inteiro, o período do verão representa a única chance de reprodução desses peixes.
Para chegar às agregações, os meros podem percorrer mais de 400 quilômetros em dez dias. Eles se encontram nas águas rasas (<50m) junto a recifes rochosos, naufrágios e recifes artificiais que contenham grandes buracos e cavernas, e permanecem ali por um bom tempo, próximos do local de desova.
A fecundação é externa e se dá quando a fêmea lança milhões de ovócitos na água ao mesmo tempo que diversos machos lançam seus espermatozóides; os ovócitos fecundados se transformam em larvas que passam entre 35 e 80 dias limitados às correntes marinhas e dão origem a pequenos juvenis com aproximadamente 15 milímetros de comprimento.
Os meros nascem fêmeas e provavelmente após a primeira reprodução, por volta dos 6 a 8 anos quando se tornam sexualmente ativos, algumas fêmeas se transformam em machos, garantindo a continuidade da espécie.
O mero se alimenta em grande parte de crustáceos, como caranguejos, siris, lagostas e camarões; peixes lentos e normalmente associados ao fundo do mar, como arraias, bagres, peixe-sapo, baiacu-de-espinho e peixe-cofre, além de polvos e tartarugas, e eventualmente de caranhas ou mesmo garoupas e jovens tubarões.
Na fase juvenil ocupam os manguezais. Encontrando abrigo em meio às raízes de mangue, os filhotes se alimentam de pequenos crustáceos até atingir a idade adulta quando deixam este habitat e migram para o mar aberto. A partir daí, são encontrados em costões rochosos e recifes coralíneos, que ocorrem, preferencialmente, em algumas estruturas artificiais no ambiente marinho como monoboias, plataformas de petróleo em águas rasas, pilares de pontes, píeres e naufrágios.
Além de encontrados frequentemente em ambientes recifais de mar aberto, os meros adultos também podem ser observados em ambientes estuarinos, em geral habitando fundos rochosos com profundidades de até 30 metros. Meros vivem em águas tropicais e subtropicais do oeste e leste do Oceano Atlântico. Na parte oeste, habita as águas da Carolina do Norte, nos Estados Unidos da América (EUA), até o sul do Brasil, incluindo o Golfo do México e o Mar do Caribe.
Na parte leste do Atlântico, sua distribuição se estende desde o Senegal até o Congo, embora seja raro nas ilhas Canárias e esteja possivelmente extinto na costa oeste da África.
A pesca do mero, espécie ameaçada de extinção, é proibida em todo o território brasileiro. Essa medida visa proteger a espécie e garantir a preservação dos ecossistemas marinhos. Quem desrespeitar essa proibição estará sujeito a diversas penalidades, como multas e, até mesmo, prisão.