SELO

Palmeira que alimenta 70 espécies de animais ganha certificação contra risco de extinção

Programa estadual ataca a exploração descontrolada da palmeira-juçara e incentiva o uso culinário sustentável do fruto para sucos, pães e sorvetes

Palmeira que alimenta 70 espécies ganha certificação contra risco de extinção
Extração descontrolada de palmito colocou a espécie nativa na lista de ameaça de extinção - Reprodução/Semil


A palmeira-juçara (Euterpe edulis), fonte de alimento para mais de 70 espécies de animais da Mata Atlântica, sofreu, ao longo do tempo, com a exploração descontrolada para a retirada de palmito até chegar à lista de espécies ameaçadas de extinção.

Para promover a conservação, o governo do estado de São Paulo, por meio da Fundação Florestal, lançou o Selo Pró-Juçara. A iniciativa ataca o problema direto na raiz econômica: busca modificar a cultura extrativista do palmito com fomento da venda de sementes e de polpa.

O incentivo abrange a coleta sustentável do fruto. A prática mantém a floresta em pé, preserva a alimentação da fauna silvestre durante os períodos de escassez e garante o repovoamento das áreas.



Além disso, o fruto possui alto potencial culinário e nutricional na alimentação humana. A polpa atende ao consumo puro, ou serve como ingrediente em sucos, bolos, sorvetes, pães e geleias.

O Selo Pró-Juçara é mais do que um instrumento de reconhecimento: ele consolida uma política pública que conecta conservação ambiental, geração de renda e valorização da sociobiodiversidade", afirma o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.

Ele explica que o modelo cria oportunidades concretas para as comunidades que vivem da floresta em pé.

Como funciona o selo

O certificado atua como um reconhecimento de alta qualidade para quem integra a cadeia produtiva. Cerca de 300 famílias capacitadas na região do Vale do Paraíba e Parque Estadual da Serra do Mar buscam o selo. O edital impõe exigências ambientais rígidas:



  • O produtor não tem permissão para colher a carga inteira da árvore. Uma parte dos frutos deve permanecer nos galhos para os animais silvestres;
  • O governo proíbe o plantio de açaí amazônico perto das áreas de coleta. A restrição bloqueia a hibridização, o cruzamento genético indevido entre as duas espécies de palmeiras;
  • A exploração comercial ampara-se na Resolução SMA Nº 189 de 2018, norma para projetos de reflorestamento com espécies nativas para exploração comercial sustentável.

A diretora de Bioeconomia da Fundação Florestal, Victoria Karvelis, aponta que o projeto gera visibilidade aos produtos. "Ele fortalece mercados sustentáveis e incentiva práticas que contribuem para a conservação da espécie", destaca.

Pagamento e modalidades do selo

A certificação tem validade de até dois anos e integra o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA Juçara). O programa estadual remunera as famílias pelo plantio, manejo e proteção da floresta nas Unidades de Conservação e em zonas de amortecimento. Hoje, o estado opera 61 grupos de PSAs, com cerca de 1,4 mil famílias beneficiadas.

O selo estampa embalagens e materiais de divulgação em duas categorias distintas:



  • Modalidade Produtor destina-se aos responsáveis pela produção direta. A embalagem exibe a mensagem: "Este produto apoia a juçara e quem a protege!";
  • Modalidade Apoiador ou Comercializador foca em locais de venda de derivados. O estabelecimento exibe a frase "Aqui tem produtos de juçara!".

Como solicitar o selo

O pedido ocorre pelo e-mail [email protected]. O recebimento de solicitações fica aberto em qualquer dia. A equipe técnica do Selo Pró-Juçara avalia o cumprimento das exigências descritas no edital do órgão.

* Com informações da Agência SP e Fundação Florestal.

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