OCEANO

Orcas são registradas em três cidades do litoral paulista

Família com seis orcas, incluindo filhote e macho adulto, foi flagrada na Laje de Santos; Ubatuba e Ilhabela também registraram aparições


Rhauanny Queiroz
Publicado em 21/01/2026, às 14h01

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Orcas são avistadas em Santos, Ilhabela e Ubatuba e chamam atenção
Registros inéditos e recentes confirmam passagem de grupos da espécie pelo litoral paulista - Virgílio Costa monitor ambiental


Avistamento recente de orcas no litoral paulista, com registros em Santos, Ilhabela e Ubatuba, chamou a atenção e reforçou a importância ambiental da região como área de passagem desses grandes predadores marinhos. 

Imagens confirmam a circulação de diferentes indivíduos e grupos da espécie (Orcinus orca) pelas águas do Sudeste brasileiro. 



O registro mais emblemático ocorreu no dia 17 de janeiro, no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, quando uma família com seis orcas, incluindo um filhote e um macho adulto, foi observada por volta das 10 horas. 

O monitor ambiental do parque, Virgílio Costa, acompanhou a passagem do grupo pela área, considerada um dos principais santuários marinhos do estado de São Paulo.

Além de Santos, Ilhabela e Ubatuba também tiveram registros recentes. Em Ubatuba, a presença da orca fêmea conhecida como Eva, avistada no dia 14 de janeiro, despertou grande interesse. 



Monitorada há anos por pesquisadores, Eva integra um grupo social estruturado, formado por fêmeas adultas, filhotes e um macho adulto. Nos dias anteriores, esse mesmo grupo havia sido observado no litoral do Rio de Janeiro, indicando um deslocamento gradual em direção ao Sudeste paulista.

Entre os indivíduos identificados está o macho adulto conhecido como Almirante, facilmente reconhecido pela nadadeira dorsal alta e proeminente, característica típica dos machos da espécie. 

Seu primeiro registro por fotoidentificação ocorreu em 1993, no Rio de Janeiro, quando já apresentava sinais de maturidade. Com base nesses dados, especialistas estimam que ele tenha cerca de 50 anos. 



Almirante já foi observado tanto em associações com diferentes grupos quanto em deslocamentos solitários, comportamento relativamente comum entre machos adultos.

Gigantes dos mares

As orcas são os maiores representantes da família dos golfinhos (Delphinidae) e ocupam o topo da cadeia alimentar marinha, classificadas como predadores de ápice. 

Extremamente inteligentes e sociais, vivem em grupos familiares estáveis, conhecidos como pods, nos quais desenvolvem laços complexos e estratégias cooperativas de caça.



De distribuição cosmopolita, a espécie ocorre em todos os oceanos do planeta, do Ártico à Antártica, com maior abundância em áreas costeiras e regiões de alta produtividade. 

Algumas populações são residentes, permanecendo o ano todo na mesma região, enquanto outras realizam longas migrações, como as observadas no litoral brasileiro.

Fisicamente impressionantes, os machos podem atingir até 9 metros de comprimento e pesar cerca de 6,6 toneladas, enquanto as fêmeas chegam a 7,7 metros e até 4,7 toneladas. Dieta varia conforme o ecótipo e a região, podendo incluir peixes, mamíferos marinhos e até tubarões.



Importância científica e conservação

Os indivíduos registrados no litoral paulista são acompanhados por meio da fotoidentificação, técnica que reconhece padrões únicos no corpo e no formato da nadadeira dorsal, permitindo monitorar deslocamentos, relações sociais e histórico dos grupos.

Grande parte desses animais já é conhecida e catalogada por projetos de pesquisa que atuam no Brasil.

Especialistas destacam que, embora raros, avistamentos de orcas no litoral paulista têm alto valor científico, pois ampliam o conhecimento sobre rotas migratórias e comportamento da espécie. 



Necessidade de respeitar as normas de observação da vida marinha, evitar aproximações e qualquer interferência que possa colocar em risco tanto os animais quanto as pessoas, também é reforçada.

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