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Nova descoberta indica por que manguezais retêm tanto carbono

Manguezais superam até florestas tropicais na captura de carbono, graças à química do solo revelada por cientistas brasileiros


Redação
Publicado em 24/07/2025, às 14h14

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Nova descoberta indica  por que manguezais retêm tanto carbono
Coleta de solo em área de manguezal convertida em pastagem - Angelo Fraga Bernardino/Universidade Federal do Espírito Santo


Os manguezais, conhecidos por sua biodiversidade e importância para comunidades costeiras, agora ganham destaque também como aliados no combate à crise climática. Um estudo de pesquisadores do Departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), revelou  novo mecanismo que explica por que os solos alagados dessas áreas são tão eficientes em reter carbono: o segredo está no ferro.

Até então, acreditava-se que a principal razão da retenção de carbono nos mangues era a falta de oxigênio, que retarda a decomposição da matéria orgânica. No entanto, a pesquisa identificou que óxidos de ferro com baixa cristalinidade, como a ferri-hidrita e a lepidocrocita, também têm papel decisivo. Esses minerais formam uma espécie de "escudo protetor" em torno das frações mais instáveis do carbono do solo, impedindo sua decomposição e evitando a liberação de dióxido de carbono (CO₂) para a atmosfera.

A descoberta é especialmente relevante quando se pensa em mudanças no uso da terra, como a conversão de áreas de mangue para criação de camarões ou pastagens. Nessas situações, o ambiente do solo é alterado drasticamente, tornando os óxidos de ferro mais cristalinos e, portanto, menos eficazes em proteger o carbono.



Francisco Ruiz, primeiro autor do artigo, junto com o orientador de Ruiz e autor correspondente, o engenheiro agrônomo Tiago Osório Ferreira, ambos da Esalq-USP, destacam que o trabalho representa  “quebra de paradigma” na forma como entendemos a interação entre minerais e carbono em solos alagados. A pesquisa utilizou técnicas avançadas, como espectroscopia no infravermelho e análise térmica, aplicadas de maneira inédita para solos de mangue.

O estudo foi feito em áreas do estuário Mocajuba-Curuçá, no Pará, e contou com apoio da Fapesp, do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) e do Centro de Pesquisa em Carbono na Agricultura Tropical (Ccarbon). Os resultados abrem caminho para estratégias de preservação mais eficazes, que vão além do reflorestamento e incluem a restauração do equilíbrio geoquímico dos solos de manguezais .

O artigo Iron’s role in soil organic carbon (de)stabilization in mangroves under land use change pode ser lido em www.nature.com/articles/s41467-024-54447-z.



* Com base em matéria de Luciana Constantino, da Agência FAPESP 

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