POLUIÇÃO MARINHA

Montanha de lixo: 164 toneladas de resíduos saem do mar e dos mangues no litoral de SP

Programa retirou 164 toneladas de resíduos do litoral paulista e destinou R$1,2 milhão a pescadores artesanais desde 2023


Redação
Publicado em 01/06/2026, às 10h26

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Pescadores do programa Mar Sem Lixo recolhendo resíduos
Pescadores artesanais participam de mutirões de limpeza em manguezais e áreas costeiras do litoral paulista - Divulgação/Semil


Garrafas, copos descartáveis, embalagens de alimentos e outros resíduos que chegam ao mar e aos manguezais somam mais de 164 toneladas retiradas do litoral paulista desde 2023.

O volume foi recolhido pelo Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Mar Sem Lixo, da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, do estado de São Paulo (Semil).

A iniciativa remunera pescadores artesanais pelo trabalho de limpeza em áreas costeiras e manguezais. Segundo o órgão, desde a criação do programa, mais de R$1,2 milhão já foi destinado aos participantes pelo serviço ambiental prestado.



Somente entre fevereiro e abril deste ano, durante o período de defeso do camarão, foram retiradas mais de 43 toneladas de lixo dos manguezais em seis municípios costeiros. O volume representa cerca de 27% de todo o material já recolhido pelo programa.

Ainda de acordo com o governo estadual, o resultado também aponta crescimento de 231% em relação ao início dos mutirões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 12,9%.

Plástico domina resíduos encontrados

Atualmente, o PSA Mar Sem Lixo conta com 344 pescadores artesanais cadastrados, número 164% maior que o registrado no início da iniciativa. O programa está presente em Ubatuba, São Sebastião, Cananeia, Guarujá, Bertioga e Itanhaém.



Do total de resíduos recolhidos desde 2023, mais de 123 toneladas foram retiradas exclusivamente de áreas de manguezal, o equivalente a 75% de todo o lixo coletado pela iniciativa.

A quantidade removida dos manguezais apenas durante o defeso deste ano corresponde a cerca de 430 mil garrafas plásticas descartadas irregularmente no meio ambiente.

Garça-branca-grande, no Rio Casqueiro, em Cubatãoassy
Heloísa Sacaldassy

Os dados do programa ainda mostram que 97% dos resíduos encontrados nos manguezais são compostos por plástico. Desse total, aproximadamente 70% correspondem a itens descartáveis ou de uso único.



As embalagens de alimentos industrializados lideram a lista de materiais identificados, com 43,1% do total analisado. Em seguida aparecem copos descartáveis, com 16,7%, e resíduos ligados ao consumo de bebidas alcoólicas, responsáveis por 12,7%.

Pescadores atuam na limpeza

Para Rodrigo Levkovicz, diretor executivo da Fundação Florestal, o programa mostra que conservação ambiental e desenvolvimento social podem caminhar juntos.

“O programa demonstra que conservação ambiental e desenvolvimento social caminham juntos. Os pescadores artesanais conhecem profundamente esses territórios e se tornaram protagonistas na proteção dos manguezais e do ambiente marinho”, afirma.



Durante o defeso, quando a pesca do camarão fica suspensa, os pescadores cadastrados participam dos mutirões de limpeza nos manguezais e recebem pelo serviço ambiental prestado. No restante do ano, o programa também remunera resíduos recolhidos durante a atividade pesqueira de arrasto de camarão.

Sandra Leite, coordenadora do PSA Mar Sem Lixo, destaca que parte da poluição encontrada no ambiente marinho começa longe das áreas costeiras.

O lixo que chega aos manguezais muitas vezes começa com o descarte irregular nas cidades. Quando esses resíduos chegam fragmentados ao ambiente marinho, o impacto para a fauna e para os ecossistemas costeiros é ainda maior”, explica.

Por que os manguezais importam?

Os manguezais funcionam como berçários naturais para diversas espécies de peixes e crustáceos. Além disso, ajudam na filtragem de poluentes, protegem a linha de costa contra erosão e armazenam carbono azul, processo considerado importante no enfrentamento das mudanças climáticas.



A Fundação Florestal reforça que a redução da poluição marinha também depende da população, com descarte correto de resíduos e diminuição do consumo de plásticos descartáveis e de uso único.

Segundo a Semil, a combinação entre limpeza, pagamento por serviços ambientais e participação de pescadores artesanais busca proteger ecossistemas costeiros e, ao mesmo tempo, reconhecer o papel de comunidades tradicionais na conservação do litoral paulista.

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