Serpente foi avistada na faixa de areia da praia do Una, em Peruíbe; biólogo explica que serpentes avistadas em praias estão, geralmente, 'perdidas'

Uma cobra da espécieTomodon dorsatus foi avistada na faixa de areia da praia do Una, em Peruíbe, litoral de São Paulo, na tarde de sábado (21). O registro foi feito por Beto Neves Alves e compartilhado nas redes sociais. Segundo o biólogo Thiago Malpighi, da Secretaria de Meio Ambiente de Peruíbe, essa serpente é nativa da Mata Atlântica e, em algumas regiões, é chamada de "corre-campo". Apesar do local onde foi encontrada, não se trata de uma serpente marinha, mas sim, de um animal terrestre e predominantemente diurno.
A serpente alimenta-se principalmente de moluscos, como caramujos e lesmas, e não representa riscos significativos à saúde pública, pois não está envolvida em acidentes ofídicos de relevância clínica, segundo o biólogo. Contudo, a espécie é opistóglifa, o que significa que possui dentes especializados na parte posterior da boca, adaptados para a alimentação e uma mordida pode ser perigosa.
As imagens também foram analisadas pelo biólogo Giuseppe Puorto, diretor cultural do Instituto Butantan. O especialista confirmou que o animal do vídeo se trata da Tomodon dorsatus e explicou que a espécie avistada na praia é avermelhada, porém, é comum ver espécimes cor de palha. Ele explica ainda que a serpente é também conhecida como comedora de lesmas, devido a seus hábitos alimentares.
Cobra da espécie Tomodon dorsatus é flagrada em praia do litoral de SP 🏖️🐍 pic.twitter.com/i6ZsjzWv9W
— Portal Costa Norte (@costanortenews) December 23, 2024
Ao longo de 2024, o Portal Costa Norte noticiou vários casos de cobras em praias da Baixada Santista e litoral norte. Malpighi conta que o aparecimento ocasional desse tipo de serpente em praias está relacionado a fatores ambientais, como chuvas e proximidade com fragmentos de vegetação nativa. "As serpentes avistadas na areia estão, geralmente, 'perdidas' e fora de seu ambiente natural".
O biólogo Henrique Charles, conhecido como "Biólogo das Cobras" explica que a serpente pode ter aparecido na praia devido a uma enxurrada que escorreu para o mar. Por se alimentar apenas de lesmas, o biólogo das cobras disse que a serpente é muito tranquila e humanos não precisam ter medo.
O biólogo Thiago contou que, em praias urbanizadas, é mais comum encontrar espécies, como a cobra-d’água (Helicops carinicaudus e Erythrolambrus miliaris), devido à presença de canais de drenagem que desembocam no mar. Já em praias preservadas ou próximas à vegetação natural, como a praia do Una, o aparecimento de serpentes terrestres pode ser mais frequente, devido à proximidade com seu habitat.
Ainda de acordo com o profissional, não há ocorrência de serpentes marinhas na costa brasileira, e a presença das espécies nativas na faixa de areia das praias é sempre transitória. Por fim, ele reforçou a importância de respeitar a fauna local e de evitar interferências não autorizadas. Ele orienta que, ao avistar um animal silvestre em ambiente urbano, ou em situação incomum, a população deve acionar os órgãos responsáveis para o manejo seguro e adequado.