POLUIÇÃO AMBIENTAL

Bitucas de cigarro dominam praias do Brasil; veja as 4 mais poluídas

Levantamento internacional aponta altos níveis de resíduos tóxicos no litoral brasileiro e destaca o país entre os mais impactados globalmente


Lais Seguin
Publicado em 31/03/2026, às 08h29

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bituca de cigarro na praia
Alta concentração de resíduos no litoral brasileiro chama atenção - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


As bitucas de cigarro colocaram praias brasileiras entre as mais contaminadas do mundo, segundo estudo divulgado em março de 2026.

A pesquisa analisou dados globais e mostrou níveis elevados no litoral do país. O problema ocorre por descarte irregular e alta presença desse resíduo em áreas costeiras.

Brasil está entre os países com mais bitucas nas praias

O levantamento reuniu dados de 130 estudos feitos entre 2013 e 2024, quando foram analisados 55 países. A pesquisa identificou 17 nações com níveis críticos.



O Brasil aparece na 4ª posição do ranking global. A média mundial é de 0,24 bituca por metro quadrado. Já em praias brasileiras, esse número pode chegar a 8,85 por metro quadrado. O índice é quase 40 vezes maior que a média global.

O estudo foi conduzido por instituições como a Universidade Federal de São Paulo, Universidade Estadual Paulista e Instituto Nacional de Câncer, além da Johns Hopkins University.

Mais detalhes podem ser consultados no site da Agência Fapesp. Também é possível consultar o estudo na íntegra em site oficial.



4 praias brasileiras com maior concentração

Algumas praias concentram os maiores índices de bitucas de cigarro no país.

Entre os destaques estão:

  1. Boa Viagem (Recife, PE): 8,85/m²;
  2. Praia do Perequê (Guarujá, SP): 2,64/m²;
  3. Porto de Galinhas (Ipojuca, PE): 1,57/m²;
  4. Santa Cruz dos Navegantes (Guarujá, SP): 1,04/m².

Esses números indicam alta concentração em áreas turísticas. A presença constante de visitantes contribui para o descarte inadequado.



Ranking mundial de bitucas de cigarro

O ranking global mostra países com maior densidade do resíduo por metro quadrado.

Veja os principais:

  • Irã: 38,32/m²;
  • Chile: 24,11/m²;
  • Tailândia: 13,30/m²;
  • Brasil: 8,85/m²;
  • Uruguai: 8,00/m².

A concentração varia conforme hábitos de consumo e políticas locais.



Por que as bitucas de cigarro preocupam?

As bitucas de cigarro são feitas de acetato de celulose, um tipo de plástico que não se decompõe facilmente no ambiente e, ao entrar em contato com a água, libera microplásticos.

Além disso, contém mais de 7 mil substâncias químicas. Esses compostos podem contaminar o solo e a água.

Como o descarte irregular aumenta o problema

O descarte de bitucas de cigarro em praias ocorre com frequência, pois muitos fumantes jogam o resíduo diretamente na areia.



Esse comportamento foi influenciado por décadas de informações incorretas. A indústria do tabaco divulgou que filtros seriam biodegradáveis. Pesquisadores contestam essa versão. O material permanece no ambiente por anos e a falta de lixeiras e de campanhas educativas também contribui para o cenário atual.

Impactos das bitucas no lixo marinho

As bitucas de cigarro representam cerca de 12% do lixo global em praias. Na América do Sul, esse número pode ultrapassar 50%. No Brasil, há registros de até 66,7% do lixo marinho composto por esse material. 

Esse volume aumenta o risco de poluição costeira, além de dificultar ações de limpeza e preservação ambiental.



O que os dados indicam sobre o cenário atual?

Os dados mostram que o problema é amplo e persistente. A presença de bitucas de cigarro nas praias brasileiras segue elevada e o estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo e medidas de prevenção.

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