Levantamento internacional aponta altos níveis de resíduos tóxicos no litoral brasileiro e destaca o país entre os mais impactados globalmente

As bitucas de cigarro colocaram praias brasileiras entre as mais contaminadas do mundo, segundo estudo divulgado em março de 2026.
A pesquisa analisou dados globais e mostrou níveis elevados no litoral do país. O problema ocorre por descarte irregular e alta presença desse resíduo em áreas costeiras.
O levantamento reuniu dados de 130 estudos feitos entre 2013 e 2024, quando foram analisados 55 países. A pesquisa identificou 17 nações com níveis críticos.
O Brasil aparece na 4ª posição do ranking global. A média mundial é de 0,24 bituca por metro quadrado. Já em praias brasileiras, esse número pode chegar a 8,85 por metro quadrado. O índice é quase 40 vezes maior que a média global.
O estudo foi conduzido por instituições como a Universidade Federal de São Paulo, Universidade Estadual Paulista e Instituto Nacional de Câncer, além da Johns Hopkins University.
Mais detalhes podem ser consultados no site da Agência Fapesp. Também é possível consultar o estudo na íntegra em site oficial.
Algumas praias concentram os maiores índices de bitucas de cigarro no país.
Entre os destaques estão:
Esses números indicam alta concentração em áreas turísticas. A presença constante de visitantes contribui para o descarte inadequado.
O ranking global mostra países com maior densidade do resíduo por metro quadrado.
Veja os principais:
A concentração varia conforme hábitos de consumo e políticas locais.
As bitucas de cigarro são feitas de acetato de celulose, um tipo de plástico que não se decompõe facilmente no ambiente e, ao entrar em contato com a água, libera microplásticos.
Além disso, contém mais de 7 mil substâncias químicas. Esses compostos podem contaminar o solo e a água.
O descarte de bitucas de cigarro em praias ocorre com frequência, pois muitos fumantes jogam o resíduo diretamente na areia.
Esse comportamento foi influenciado por décadas de informações incorretas. A indústria do tabaco divulgou que filtros seriam biodegradáveis. Pesquisadores contestam essa versão. O material permanece no ambiente por anos e a falta de lixeiras e de campanhas educativas também contribui para o cenário atual.
As bitucas de cigarro representam cerca de 12% do lixo global em praias. Na América do Sul, esse número pode ultrapassar 50%. No Brasil, há registros de até 66,7% do lixo marinho composto por esse material.
Esse volume aumenta o risco de poluição costeira, além de dificultar ações de limpeza e preservação ambiental.
Os dados mostram que o problema é amplo e persistente. A presença de bitucas de cigarro nas praias brasileiras segue elevada e o estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo e medidas de prevenção.