SOLIDARIEDADE E CULTURA

Festivais de reggae geram associação e cultura ganha força no litoral norte

1º de julho é o Dia Internacional do Reggae, e eventos solidários em Caraguatatuba fortalecem a cena cultural do gênero

Estéfani Braz
Publicado em 29/06/2024, às 18h07 - Atualizado às 19h02

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Festivais solidários de reggae fortalecem a cena cultural, em Caraguatatuba - Estéfani Braz
Festivais solidários de reggae fortalecem a cena cultural, em Caraguatatuba - Estéfani Braz

Comemorado em 1º de julho, o Dia Internacional do Reggae é uma celebração da história e dos impactos positivos que o gênero musical causa, proporcionando consciência cidadã, ambiental e de unidade. A data foi criada pela estrategista americana Andreia Davis, que se inspirou no discurso de Winnie Mandela, em 1992, em Kingston, na Jamaica. Durante a fala, a ativista falou sobre o reggae como símbolo de inspiração, encorajamento e união.

Além disso, a criação da data pretende comemorar o melhor da criatividade musical jamaicana. Até o ano passado, segundo a plataforma de streaming de áudio Spotify, o Brasil era o segundo país no mundo que mais consome reggae,  atrás apenas dos Estados Unidos. 

Praia Martim de Sá
Praia Martim de Sá, em Caraguatatuba, é palco de eventos de reggae - Estéfani Braz

Por intermédio de suas mensagens de positividade e paz, quase sempre presentes nas letras das músicas, o reggae fortalece a prática do bem. Fortalecimento visto em Caraguatatuba, no litoral norte, local que, já há cerca de dez anos, organiza um evento solidário com o reggae como protagonista.

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O produtor cultural Nei Atílio é o responsável pelo evento. Ele é natural de Porto Alegre (RS), mas chegou a Caraguatatuba com apenas um ano de idade. Com toda a história construída na cidade, há quase vinte anos é proprietário de uma barraca onde comercializa coco gelado. “Isso começou com luau. À noite, a gente gostava de fazer fogueira. Era uma forma de aumentar a minha permanência aqui na praia. Por ser ambulante, a gente tem que levar as coisas e trazer todos os dias. Então, a gente adotou a política, durante a temporada, de ficar 24 horas”. 

Nei Atílio
Nei Atílio é produtor cultural e vendedor de coco gelado há mais de 20 anos na praia Martim de Sá. - Estéfani Braz

O que começou apenas com o desejo de reduzir os transtornos causados pelos equipamentos que precisavam ser montados na praia, para o trabalho como ambulante, tomou uma proporção maior e passou a ter um objetivo mais específico: ajudar quem precisa. 

O crescimento dos eventos fez também com que a busca por uma melhor estrutura, para acolher os participantes, fosse constante. Em 2024, os organizadores conseguiram ser contemplados em um edital da Lei Paulo Gustavo, para receberam  financiamento para realização do evento. 

“Neste ano, tentamos ajudar, durante o último Reggae Solidário, pessoas lá do meu estado natal, onde eu nasci, que é o Rio Grande do Sul, que foi afetado pela tragédia. E, quando a gente começou lá atrás, a gente não tinha nem ideia do que a gente podia estar fazendo e eu te confesso que ainda não tenho dimensão do que isso pode se tornar em termos de cultura”. 

Solidariedade

Os gestos solidários começaram em 2017, quando Nei teve a ideia de fazer um grande evento, que acabou sendo denunciado. “Algumas pessoas que são contra o nosso movimento, foram ao Ministério Público, fizeram a denúncia. A prefeitura teve que vir aqui e ninguém me avisou com antecedência. Eu mobilizei músicos, mobilizei pessoas, fiz todo um investimento para poder realizar o evento e, no final, não teve o evento. Eu fiquei com um prejuízo e isso me deixou bem abalado. Mas, eu sou uma pessoa que não desiste fácil”. 

Com uma programação multicultural, com apresentação de grupos de capoeira, arte circense, bandas de reggae e promoção aos artesãos locais, os eventos têm permitido que mais pessoas tenham acesso a outras artes, tribos e costumes. Segundo Nei, a organização ainda enfrenta dificuldades com os custos de transporte e de alimentação. Ele lembra que, além de levar agasalhos ao Rio Grande do Sul, os eventos de reggaes na Martim de Sá ajudaram também pessoas de Caraguatatuba.

Festivais de Reggae

Os eventos têm sido realizados duas vezes ao ano, em média. A próxima edição, em planejamento, é o Reggae da Independência. “ A gente já tem dois festivais no qual arrecadamos brinquedos, perto do Natal, e onde arrecadamos fraldas geriátricas no tradicional evento em janeiro, que é a primeira semana de janeiro. É onde nós podemos mostrar nosso valor para as pessoas que estão visitando nossa cidade, passando a virada do ano. Temos o reggae do Agasalho, que foi em abril, e agora está entrando o reggae da Independência”. 

A edição programada para o dia 7 de setembro, feriado da Independência, deve arrecadar alimentos não perecíveis. “Nosso trabalho aqui é baseado na união. União do povo caiçara. Tivemos até agora mais de 16 festivais aqui, somando todos os nossos projetos. A gente nunca teve nenhuma briga, nunca teve nenhuma confusão”.

Os festivais ainda contam com acessibilidade com espaços para pessoas com deficiência.

ACURA

A expansão dos grupos e conhecimentos resultou na criação da Associação Cultural de Reggae do Litoral Norte (Acura). Com o objetivo de estimular a cultura reggae, o progresso social, cultural e ambiental no litoral norte de São Paulo, Nei Atílio, ao lado de produtores culturais da região, se juntaram para a criação da entidade. 

Nei é o presidente da associação que, segundo ele, conta atualmente com cerca de 40 associados. O grupo tem representantes de diversas classes sociais, etnias e religiões. Na próxima segunda-feira (1), a partir das 19h, ocorre a inauguração da sede da Acura. O evento contará com atrações musicais, e a data foi escolhida para comemorar o Dia Internacional do Reggae. 

Haverá ainda exposição de artesanato, rodas de conversas e sorteios de brindes. Os ingressos antecipados custam R$20. No dia do evento, o valor será de R$30. O evento será realizado na nova sede da associação,  na avenida Maria Kfouri, 199, no bairro Massaguaçu, em Caraguatatuba.

Estéfani Braz

Estéfani Braz

Formada em Comunicação Social na Faculdades Integradas Teresa D'Ávila

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