Localizado em sistema planetário a 437 anos-luz da Terra, o planeta é uma descoberta que surpreendeu a comunidade científica

Uma descoberta surpreendente foi feita por pesquisadores, em setembro deste ano: trata-se da primeira imagem de um planeta 'bebê', em um anel ao redor de uma estrela jovem.
Apesar de teóricos já sugerirem que planetas existam e sejam criados nestes discos protoplanetários, essa é a primeira vez que o fato foi observado.
De acordo com o artigo publicado pela Nasa, em 30 de setembro, organização norte americana responsável por pesquisar e desenvolver projetos e programas espaciais, o astro fotografado e nomeado WISPIT 2b, em razão de sua estrela WISPIT 2, é um planeta gasoso gigante de 5 milhões de anos, com uma massa cinco vezes maior que a de Júpiter e cerca de mil vezes mais jovem que a Terra.
A descoberta deste corpo celeste em um sistema planetário a 437 anos-luz da Terra, com uma estrela semelhante à nossa, rendeu novas informações sobre a origem e formação destes astros.
A principal é a sua localização na lacuna do disco protoplanetário, um tipo de círculo ou anel formado majoritariamente por poeira e gás, que rodeia uma estrela jovem e funciona como o berço de novos planetas.

Segundo as observações descritas no artigo, o WISPIT 2b continua a crescer. Entretanto, o detalhe mais curioso para os cientistas foi que, aparentemente, todo o seu desenvolvimento ocorreu exatamente no local onde ele foi identificado, ou seja, desde o início de sua formação até o seu estado atual, o planeta mantém-se no mesmo lugar.
A comunidade científica sustenta que os planetas se originam do gás e da poeira presentes nestes discos protoplanetários, como descritos anteriormente. O processo funciona como uma espécie de 'aspirador'; portanto, os planetas se formam ao 'absorver' e empurrar esse material das lacunas do disco.
O artigo publicado pela Nasa destaca: “Nosso próprio sistema solar já foi apenas um disco protoplanetário, e é possível que Júpiter e Saturno tenham limpado lacunas como essas, nesse disco, há muitos e muitos anos”.
Antes do principal achado, a primeira observação ocorreu graças ao telescópio VLT-Sphere, localizado na base operada pelo European Southern Observatory, no Chile. Baseado neste estudo, foram descobertos a estrela WISPIT 2, os anéis e a lacuna ao redor da estrela.
Conforme explicado na publicação, o planeta WISPIT 2b somente foi detectado após pesquisadores utilizarem o sistema óptico adaptativo extremo MagAO-X, da Universidade do Arizona.
Trata-se de um imageador colocado no telescópio Magellan 2, também localizado no Chile, que utiliza uma tecnologia de detecção de H-alpha, um formato de luz emitida pelo plasma existente em discos protoplanetários.
Um fato inesperado durante a descoberta do WISPIT 2b, de acordo com a organização norte americana, foi a identificação de um segundo ponto no mesmo sistema, possivelmente outro planeta em formação.
Contudo, ainda não há confirmação, e este novo registro só será investigado futuramente, como informa a própria Nasa: “ Este segundo ponto foi identificado como outro candidato a planeta, que, provavelmente, será investigado em estudos futuros do sistema” .
Tais descobrimentos são importantes para que pesquisadores utilizem essas observações como uma máquina do tempo, porque parte do que observamos agora, é reflexo do que já nos ocorreu milhões de anos atrás.