Levantamento do instituto mostra que Norte e Nordeste lideram déficit no saneamento, com milhões de famílias sem coleta adequada de resíduos

Cerca de 29,5% dos domicílios brasileiros não tinham ligação com a rede geral de esgoto, em 2024. O dado, equivalente a três em cada dez residências, foi divulgado nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).
O levantamento mostra que 70,4% dos lares têm ligação com a rede geral, percentual que inclui fossas sépticas conectadas. Outros 15,1% contam com fossa não ligada e 14,4% utilizam alternativas como fossas rudimentares, valas ou córregos.
As diferenças regionais são marcantes. Enquanto o Sudeste apresenta 90,2% dos domicílios ligados à rede, o Norte registra apenas 31,2%. No Pará, Rondônia, Amapá e Piauí, menos de 20% das residências têm acesso ao serviço.
O IBGE não avaliou se os resíduos coletados passam por tratamento, mas estudo paralelo do Instituto Trata Brasil indica que apenas 51,8% do esgoto do país é tratado.
A pesquisa também analisou o abastecimento de água. No Brasil, 86,3% das residências recebem água pela rede geral de distribuição. Rondônia é o único estado com menos da metade dos lares atendidos (47,4%). São Paulo e Distrito Federal lideram o ranking, com índices acima de 96%.
Em relação à disponibilidade diária, 88,4% das residências recebem água todos os dias. Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) estão entre os piores resultados, enquanto o Distrito Federal (98,2%) ocupa a primeira posição.
O estudo mostra que 86,9% dos domicílios brasileiros contam com serviço de coleta de lixo. No entanto, no Norte (14,4%) e no Nordeste (13,1%), a prática de queimar resíduos ainda é mais que o dobro da média nacional.
Em relação à construção, 89,3% dos lares brasileiros têm paredes de alvenaria com revestimento. No Norte, o percentual saltou de 61,5% em 2016 para 71,2% em 2024, mostrando avanço. No mesmo período, os lares da região com pisos de cerâmica, lajota ou pedra passaram de 58,2% para 69,3%.