PELOS ARES

Sobrinho-neto de Santos Dumont relembra viagens de avião ao litoral paulista

Aos 90 anos, Paulo Dumont Villares revive voos para Bertioga, Praia Grande e litoral norte; ele conta como a região moldou sua paixão pela aviação

Sobrinho-neto de Santos Dumont relembra viagens de avião ao litoral paulista
Antes de ser piloto, Paulo viajou com o pai até os 16 anos, quando conseguiu o brevê (certificado de piloto) - Acervo Pessoal


A aviação e o litoral de São Paulo são peças fundamentais na vida do empresário, piloto e escritor Paulo Dumont Villares, sobrinho-neto de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação.

Aos 90 anos e com um livro autobiográfico lançado recentemente, ele compartilha lembranças de sua paixão por voar e pelas viagens para diversas cidades do litoral paulista.

Em seu roteiro de viagens com o pai Luiz Dumont Villares, estão cidades como Bertioga, Ilhabela, Praia Grande, São Sebastião e São Vicente.



Decolávamos do Campo de Marte ou de Congonhas e seguíamos até Bertioga, voando baixo, a uns 300 metros, sobre as praias. Às vezes, seguíamos até São Sebastião ou Ilhabela, depois subíamos a Serra do Mar e retornávamos. Era algo que meu pai adorava, eu adorava, e continuei fazendo muitas vezes”, relembra Paulo.

Em Bertioga, uma de suas lembranças é a de comer camarão sempre no mesmo restaurante, pousando com o avião diretamente na praia. Mas, segundo ele, tudo tinha que ser rápido, pois a maré poderia subir rapidamente.

“Íamos sempre ao mesmo restaurante, se não me falha a memória, chamava-se Citorre, onde comíamos camarão, que era delicioso. Era tudo muito simples e muito especial”, comenta o engenheiro, que descreveu a cidade como “muito pequena, mas extremamente agradável e bonita”.

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Empresário metalurgista, Paulo Dumont Villares também é piloto - Acervo Pessoal


Como começou

Os voos ocorreram principalmente na década de 1950, após o pai adquirir três aviões. Paulo viajava aos fins de semana com ele, pois não tinha aulas na escola. Durante a semana, o pai voava principalmente a trabalho, para compromissos da empresa para a qual trabalhava.



“Eu tinha cerca de onze anos quando passamos a voar juntos, e isso seguiu até os 16 anos, quando consegui o brevê (certificado de piloto). O que mais me marcava era a beleza do voo e a sensação de pilotar. Eu sonhava com aquilo desde muito cedo. Quando ia para a casa que tínhamos em São Vicente, entrava no carro e ficava brincando de ‘pilotar’, falando com a torre, imaginando rotas, imitando meu pai”, relata Paulo.

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Paulo começou a viajar com o pai quando criança, aos 11 anos de idade - Acervo Pessoal


Escritor

Paulo Dumont Villares é autor do livro autobiográfico Perseguindo Utopias, lançado em agosto deste ano, no qual fala sobre sua trajetória no setor da metalurgia. Ele também explica o que deseja transmitir às novas gerações ao revisitar essa trajetória.

"Espero transmitir que sonhar não é apenas permitido, é desejável. Todos devem sonhar. É a partir do sonho que começamos a planejar, estabelecer etapas e, então, transformar ideias em realidade. No livro, quero mostrar exatamente isso: que é possível chegar lá. Basta sonhar e, depois, trabalhar para concretizar”, conclui o autor.



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Lançado em agosto deste ano, 'Perseguindo Utopias' fala sobre a trajetória de Paulo no setor da metalurgia - Divulgação/Editora Novo Século


Biografia

Nascido em 1936, Paulo Dumont Villares é engenheiro metalurgista formado pela Poli-USP, com formação executiva pela Cornell University.

Foi CEO e chairman das Indústrias Villares e liderou instituições como IBGC, CEAL, IBS, IPT e Seade. Integrou conselhos de empresas e organismos internacionais como IBM, Alcoa, Avon, IFC e World Economic Forum.

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