Equipamentos fazem moradores e turistas conscientes deixarem carros na garagem, até para fazer compras em supermercados

Para fugir do trânsito caótico das cidades do litoral norte de São Paulo, moradores e, principalmente turistas, passaram a utilizar patinetes, bicicletas e motos elétricas comomeio de transporte para se deslocarem por curtos trajetos.
Calçadas, ciclovias e ciclofaixas facilitam o trânsito desses veículos. Os equipamentos têm facilitado a vida de turistas hospedados na região.
Conforme a localização dos hotéis e pousadas, também é possível ir a pé às praias, sem precisar se estressar no trânsito e passar calor, já que nem todos os carros possuem ar condicionado.
Trânsito é um dos principais problemas enfrentados por moradores e turistas durante a temporada, devido ao excesso de carros e à malha viária, que não cresce na mesma velocidade, para acompanhar o alto volume de automóveis. Por isso, cria gargalos e dificulta o fluxo viário.
Sair de um meio de hospedagem com destino a algumas das praias da região pode significar horas dentro do carro, por causa dos constantes congestionamentos.
Eles ocorrem, especialmente, nas primeiras horas da manhã, entre 7h e 10h, e ao final da tarde, entre 17h e 19h, mesmo em trajetos curtos, de 15 minutos. Nesta época, eles costumam ser percorridos entre 1h a 2 horas.
O casal de namorados Érika Monteiro Silva, 22, e Fernando Sebastiani, 29, residentes em Vinhedo (SP), passam férias em Ilhabela, hospedados no Perequê, praia na qual há grande oferta de patinetes elétricas, presentes na extensa ciclovia à beira-mar.
Cidade é uma das que apresentam o trânsito mais caótico do litoral norte, por possuir apenas uma avenida principal, que a atravessa de norte a sul.
Sebastiani conta que, no primeiro dia quando chegaram à ilha, levou 1h30 para se deslocar até a Vila, o centro turístico e histórico da cidade, onde pretendiam jantar. O lugar fica a quatro quilômetros da pousada onde estão hospedados.
“Vimos que tinha bastante patinete em frente à pousada, então optamos por alugar duas para nossos deslocamentos. Voltamos à Vila no dia seguinte e levamos só 20 minutos”, disse.
Érika comemorou a existência dos equipamentos. “Agora, vamos para as praias próximas de patinete. Além da vantagem de ter ciclovia, que passa por todas as praias, o custo é bem baixo e não enfrentamos o trânsito, que na ilha é bem ruim nesta época do ano. Faz cinco dias que estamos aqui e ainda não retiramos o carro do estacionamento da pousada, o que significa economizar combustível também”, gabou-se.
Em Caraguatatuba, a bibliotecária Tatyana de Morais, 33, de Rondonópolis (MT), que está na cidade para visitar parentes, usa a moto elétrica de seu primo para curtir as praias. “Não sei se é correto, mas vou pela ciclovia desde o centro até a Martim de Sá. Faço o trajeto em 10 minutos. De carro está impossível andar. Esses 10 minutos eu gastaria só para tentar sair da avenida da praia”, queixou-se.
Uma família de Presidente Wenceslau, no interior de São Paulo, também decidiu passar as férias em Caraguatatuba. O grupo alugou casa no bairro Indaiá, localizado a cerca de 1,5km do centro.
O advogado Pedro Abreu de Santana, 43, que acompanha o grupo, diz que os três carros da família ficam na garagem enquanto preferem caminhar até a praia, a três quadras da residência, e para jantar no centro.
“É uma caminhada de cerca de 20 minutos até os restaurantes no centro. A gente aproveita, contempla a paisagem, conversa e, ao mesmo, exercita o corpo e a mente”, diz. “Caso fôssemos de carro, com certeza seria só estresse com esse trânsito e falta de lugar para estacionar os três carros. E viemos justamente para descansar, estamos todos em férias, então, sem nenhuma pressa”, finalizou.
A dona de casa Aylane Monforte, 39, moradora de Caraguatatuba, usa patinete para fazer pequenas compras no supermercado. Ela conta que reside a cinco quadras do estabelecimento e que o uso do equipamento a livra, quase diariamente, do trânsito caótico na cidade.
“Nessa época, é difícil achar transporte por aplicativo, e a maioria (dos motoristas) cancela por causa da curta distância. Sair com meu carro levaria muito tempo e no supermercado geralmente não tem onde estacionar, com vagas lotadas. Então, se vou fazer pequenas compras, que dá para trazer em duas ou três sacolinhas, vou de patinete. É mais rápido e mais barato que carro por aplicativo”.