Alterações valem para todos os bancos e usuários do Pix e surgem para combater avanço de crimes digitais

A partir desta segunda-feira (2), começa a valer nova regra para o Pix, que traz mudanças importantes para quem usa o sistema de pagamentos instantâneos no Brasil.
Medidas reforçam a segurança das transações, ampliam o rastreamento de fraudes e buscam aumentar a confiança da população no uso da ferramenta, que tem sido alvo frequente de golpes eletrônicos, segundo o Senado Federal.
A nova regra do Pix é um conjunto de medidas que atualiza o Mecanismo Especial de Devolução (MED), usado quando há suspeita de fraude. Objetivo é dificultar ação de golpistas e tornar mais rápido o bloqueio do dinheiro transferido de forma irregular.
Com a nova regra, os bancos passam a utilizar um sistema mais avançado de rastreamento do dinheiro transferido, que permite identificar o caminho percorrido pelos valores mesmo quando eles são rapidamente enviados para outras contas.
Antes, o bloqueio só atingia a primeira conta que recebeu o Pix. Agora, se o valor for dividido, ou enviado, para várias contas, todas elas podem ser bloqueadas. Isso dificulta a prática comum de “pulverizar” o dinheiro para escapar da devolução, segundo o Senado.
Outra mudança importante é que o alerta de golpe pode ser feito diretamente no aplicativo do banco, sem necessidade de ligar para atendimento, ou ir até uma agência.
Quando o usuário registra denúncia de golpe, o sistema entra em ação. A conta que recebeu o Pix e as contas seguintes usadas para espalhar o dinheiro podem ser bloqueadas automaticamente.
Esse compartilhamento de informações ocorre entre todas as instituições financeiras envolvidas na transação.
Após a contestação, o processo de análise pode levar até 11 dias. Se a fraude for confirmada e houver saldo disponível, o valor pode ser devolvido total ou parcialmente à vítima.
A nova regra do Pix vale para todos os usuários, independentemente do banco, fintech, ou cooperativa financeira.
Desde outubro de 2025, já era possível contestar transações pelo aplicativo. Com as novidades, essa contestação ganha mais força com o rastreamento ampliado e o objetivo é ganhar tempo, fator decisivo para o sucesso na recuperação dos valores transferidos de forma indevida.
Além das mudanças anunciadas pelo Banco Central, o Senado analisa o PL 133/2022, que cria a chamada Lei de Segurança do Pix. O texto propõe regras para acelerar a recuperação de valores e exigir atuação mais ativa dos bancos contra fraudes.
Projeto está em análise da Comissão de Transparência do Senado Federal.
Mesmo com as novas regras do Pix, a prevenção continua sendo fundamental. O Banco Central orienta os usuários a desconfiar de pedidos urgentes, evitar compartilhar códigos e sempre conferir dados antes de confirmar uma transferência.
Registrar a contestação o mais rápido possível aumenta as chances de bloqueio do dinheiro e de recuperação dos valores.