RECOMEÇO

Moradores da Prainha Branca, em Guarujá, tentam se reerguer após fortes chuvas

Última comunidade caiçara da cidade necessita de doações de alimentos, produtos de limpeza, roupas e calçados para crianças; veja como ajudar

Irineu de Oliveira mostra altura que a água da chuva chegou - Rodrigo Florentino
Irineu de Oliveira mostra altura que a água da chuva chegou - Rodrigo Florentino


Após o temporal que atingiu o litoral paulista, na terça-feira (18), moradores da Prainha Branca, em Guarujá, trabalham exaustivamente para retomar a rotina normal desta que é a última comunidade caiçara da cidade. Bem ao seu lado está Bertioga, cidade com o maior acumulado de chuva do estado de São Paulo, naquele dia. Foram 169,36mm, em 24 horas, segundo a Defesa Civil municipal.

O caso da Prainha Branca é mais complexo, pois, naquela noite, seus únicos dois acessos à comunidade estavam bloqueados e a forte enxurrada que desceu do morro causou medo nos moradores. Segundo Claudenice Oliveira, presidente da Sociedade Amigos da Prainha Branca (SAPB), parte da trilha que liga a comunidade à estrada Guarujá-Bertioga foi inundada e a população ficou sem acesso ao mar, devido a tempestade. Os moradores ficaram sem luz, internet, água e telefone durante a tempestade. 

Aproximadamente dez casas foram invadidas pela água da forte chuva, acompanhada de ventania e muitos raios. Em meio à escuridão, Claudenice tinha um pensamento: “Foram momentos de pânico. Se tivéssemos uma ocorrência de resgate de pessoa ferida ou passando mal, não conseguiríamos resgatar porque nossos acessos estavam obstruídos”, conta. 



carmelinda
Carmelinda Maciel de Oliveira falou sobre a noite de medo e os esforços para reorganizar a casa - Rodrigo Florentino

A forte chuva ainda derrubou parte de um muro de pedra e concreto e quase provocou uma tragédia. Um grupo de crianças voltava das aulas de muay thai, quando uma delas escorregou e caiu em um buraco. Pâmela, de dez anos, foi salva pela raiz de uma árvore. “A minha sorte é que caí na raiz, se não eu ia cair mais fundo no buraco. Eu tentei sair, mas a areia quebrou. Depois de um tempinho consegui sair”, conta ela. 

Perdas

Moradores perderam alimentos, móveis, eletrodomésticos e roupas. Carmelinda Maciel de Oliveira tem 83 anos e mora na Prainha Branca desde criança. Emocionada, diz se apoiar na fé para poder se reerguer. Junto com a filha, ambas limparam a casa até as duas horas da manhã. Carmelinda acordou cedo no dia seguinte para ajudar no que fosse possível, já que, devido à idade, não consegue dar conta de todo o serviço. “Não posso fazer muita coisa, mas ajudei no que pude. Minha filha e nora ajudaram e até queriam que eu não fizesse muito esforço”, continua ela.



Terezinha de Oliveira Araújo, de 52 anos, ficou até por volta da 1h da manhã limpando sua casa. Segundo ela, a água subiu com muita velocidade. “A água aqui vem do morro e ela não tem saída. Nossa casa acaba sofrendo com isso, pois está em uma parte mais baixa”, conta Terezinha. 

colchão molhado
Móveis e colchões foram danificados, e o dia seguinte foi de limpeza  - Rodrigo Florentino

Irineu de Oliveira Araújo tem 54 anos e mora na Prainha Branca há mais de trinta. Assim como outros moradores, também nunca viu um volume de água tão forte como naquele 18 de fevereiro. Em um corredor que liga a faixa de areia às casas, Irineu mostra a altura na qual a água chegou, pouco acima de  1.60m. Ele é mais um morador que perdeu móveis e alimentos. “Perdemos guarda-roupa, colchão, mesas, alimentos. Tudo ficou molhado”, fala ele.



Claudenice Oliveira informou que, a pedido da associação, no dia seguinte à chuva, uma equipe da Defesa Civil esteve no local para avaliar os estragos. O laudo referente a um muro danificado, no entanto, ainda não foi apresentado. De acordo com a presidente da SAPB, uma parte da construção já cedeu, em frente à praia, devido a força da enxurrada. Além disso, a lateral do muro fica em uma das passagens para a praia e é preciso análise para descartar se há risco de queda.

Na quinta-feira (20), Claudenice esteve no Fundo Social de Solidariedade (FSS) do Guarujá e lá recebeu a informação de que a prefeitura disponibilizou, aos moradores, cinco cestas básicas e roupas para crianças, a retirar. 

Posicionamento da prefeitura

Em nota, a prefeitura do Guarujá disse que a Defesa Civil atendeu ocorrência no dia 19 de fevereiro na comunidade da Prainha Branca, referente a um muro e a passagem de moradores que foram totalmente danificados, após às fortes chuvas que atingiram a região na noite de terça-feira (18). 



Segundo a prefeitura, foram observados trincas e rachaduras em outras partes do muro. Foi solicitado um engenheiro que irá até o local para fazer a avaliação dos danos estruturais. A nota termina dizendo que a energia foi reestabelecida pela Elektro no mesmo dia da chuva, por volta das 16h. A energia foi restabelecida na tarde do dia 19. 

Doações

De acordo com Claudenice, sete famílias da Prainha Branca foram as mais atingidas pelo temporal e precisam de doações de alimentos, produtos de limpeza, roupas para meninos e meninas, nos tamanhos 8 e 10, além de calçados tamanho 28 (masculino) e 31 (feminino). Para doar, entre em contato com a SAPB, pelo WhatsApp (13) 99709 1141.

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