Decisão do Banco Central afeta cerca de 12 milhões de clientes e 515 trabalhadores; cobertura do FGC não é automática e exige cadastro

O Banco Central (BC) decretou, na terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master, no entanto, a decisão levanta dúvidas sobre o resgate de valores por correntistas e investidores em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
A liquidação é a maior operação da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), envolvendo cerca de R$ 41 bilhões em garantias.
A liquidação atinge cerca de 12 milhões de clientes e 515 trabalhadores da instituição. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região está analisando os possíveis efeitos indiretos sobre o Will Bank, que faz parte do conglomerado. O sindicato exige transparência e proteção aos direitos dos trabalhadores.
O FGC é uma entidade privada, mantida por contribuições de instituições financeiras, que garante depósitos e investimentos até um determinado limite.
Se o investidor tiver mais de R$ 250 mil, o excedente entra na lista de credores do banco e só poderá ser recuperado, na falta de acordo, por meio de ação judicial, um processo que pode durar anos.
O ressarcimento pelo FGC não é automático. O correntista precisa solicitar o pagamento. Com a liquidação, o Banco Central nomeia um liquidante responsável por levantar os ativos e passivos da instituição.
O processo tem três fases e se inicia após o envio da lista consolidada de credores pelo liquidante ao FGC, o que pode levar até 30 dias úteis.
A liquidação extrajudicial do Banco Master está relacionada à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (18), para combater a emissão de títulos de crédito falsos.
No âmbito dessa operação, o dono do banco,Daniel Vorcaro, foi preso na noite da segunda-feira (17), no aeroporto de Guarulhos (SP) quando tentava deixar o país. As investigações da PF, iniciadas em 2024, apuram a possível fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.
A operação também resultou no afastamento temporário do presidente e do diretor de Finanças do banco BRB, que havia anunciado em março a intenção de comprar o Banco Master, em uma operação não autorizada pelo Banco Central.