Organizada para defender 'a liberdade da planta no quintal' e o acesso medicinal, o evento enfrentou a 'profunda indignação' da igreja católica

A cidade de Caraguatatuba, no litoral norte, assistiu à intensa polêmica no sábado (4), com a 1ª Marcha da Maconha. O encontro, que defendeu "a liberdade da planta no quintal" e o acesso à medicação à base de cannabis, provocou repúdio por parte da diocese local.
A manifestação, que marcou um ano de organização do movimento, acendeu um acalorado debate sobre liberdade de expressão, respeito a símbolos religiosos e os direitos dos usuários e pacientes.
A Diocese de Caraguatatuba, liderada pelo bispo Dom José Carlos Chacorowski, emitiu nota de repúdio. A instituição manifestou sua "profunda indignação diante da utilização indevida da imagem de Santo Antônio", padroeiro da cidade, por parte da marcha.
A Diocese considerou a associação do santo com a manifestação um "desrespeito ao povo católico".
A nota postada nas redes sociais ressalta que a igreja católica
não guarda qualquer relação ou vinculação com esse movimento e rejeita veementemente o indevido uso da imagem de um santo católico para promoção de ideais que não se coadunam com a fé cristã apostólica".
Em contraste com a posição da igreja, os organizadores da Marcha da Maconha classificaram o evento como "um ato histórico construído com muito afeto, coragem e consciência coletiva". Pelas redes sociais, afirmaram que Caraguatatuba viveu "um divisor de águas", demonstrando que é possível "ocupar as ruas com respeito, responsabilidade e consciência".
A pauta central do movimento, "Pela liberdade da planta no quintal", aborda o "direito à autonomia, ao cultivo para uso próprio, ao cuidado com a saúde e à reparação histórica" de uma planta que, segundo eles, foi criminalizada como "instrumento de racismo e controle social".
A marcha foi impulsionada também pela união de mães atípicas que lutam pelo direito de acesso à medicação à base de canabis, além de articuladores e coletivos que acreditam que a cidade "está pronta para esse debate".
Embora a prefeitura de Caraguatatuba tenha declarado ser "contrária ao uso de qualquer substância ilícita", cumpriu a determinação judicial que autorizou a marcha. O governo municipal monitorou o evento com controle de tráfego e isolamento parcial do percurso.
A gestão também advertiu os organizadores sobre a proibição do uso recreativo ao longo da passeata, com agentes de segurança presentes para garantir a ordem. A prefeitura ressaltou o compromisso em "zelar pela ordem pública, a segurança dos cidadãos e o respeito às leis", sugerindo a criação de um fórum para debater o tema, "especificamente sobre o uso medicinal do canabidiol".