SAÚDE PÚBLICA

Governo intensifica combate a bebidas adulteradas com metanol após casos de intoxicação

Estado confirma 14 casos e 2 óbitos; outros 148 estão sob investigação; força-tarefa apreendeu milhares de garrafas e interditou estabelecimentos


Redação
Publicado em 05/10/2025, às 15h02

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Governo intensifica combate a bebidas adulteradas com metanol após casos de intoxicação
Metanol em bebidas adulteradas causa 2 mortes e 162 casos sob investigação - Divulgação/Governo de São Paulo


O governo de São Paulo está em alerta máximo e intensificou as operações policiais e sanitárias para conter a contaminação por metanol, em bebidas alcoólicas adulteradas. O último balanço da Secretaria da Saúde, atualizado até sábado (4), indica 162 casos relacionados, sendo 14 confirmados e 148 em investigação.

Dentre os casos confirmados, dois óbitos foram registrados na capital paulista. Adicionalmente, sete mortes estão sob suspeita, aguardando confirmação da relação com a intoxicação por metanol.

Riscos graves e ações imediatas

A intoxicação por metanol é considerada extremamente grave, com potencial para causar cegueira permanente e, em doses elevadas, levar ao óbito. Diante da seriedade da situação, a Secretaria de Estado da Saúde e as forças-tarefa integradas reforçam a urgência do atendimento médico imediato em caso de sintomas.



Desde o início das operações, a força-tarefa (composta pela Polícia Civil, Secretaria da Fazenda, Procon-SP e vigilâncias sanitárias) já interditou cautelarmente 11 estabelecimentos e apreendeu mais de sete mil garrafas suspeitas para testes, somente na última semana, somando-se a outras 50 mil recolhidas este ano. Ao todo, 41 pessoas foram presas, 19 delas na semana passada.

Recomendações ao consumidor e sinais de alerta

A principal medida preventiva é "evitar o consumo de bebida destilada de procedência desconhecida ou duvidosa", conforme recomendado pelas autoridades.

Regiane de Paula, coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde, alerta:



Procurar imediatamente um pronto-socorro é a única forma segura de tratamento. O tempo é determinante, principalmente nas primeiras horas após a ingestão da bebida contaminada”.

Os sintomas de alerta incluem dores abdominais intensas, sonolência excessiva, tontura, confusão mental e dor de cabeça intensa. Sem socorro em até seis horas, o quadro pode evoluir para convulsões e cegueira.

Tratamento e capacidade do estado

O estado de São Paulo possui estoque reforçado do antídoto contra o metanol (álcool etílico absoluto), totalizando 2,5 mil ampolas disponíveis em unidades de referência. A rede estadual de saúde está preparada para o atendimento, que inclui a administração do antídoto, exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Amostras podem ser analisadas pelo Latof, da USP de Ribeirão Preto.

Alexandre Learth, perito do CEAP, explicou que apenas 10ml de metanol podem causar lesões no nervo óptico, e doses a partir de 30ml são potencialmente fatais. O governo de São Paulo instaurou gabinete de crise para coordenar as ações e o governador Tarcísio de Freitas determinou o cancelamento da inscrição estadual de estabelecimentos que venderem bebidas adulteradas.



Denúncias e fiscalizações intensificadas

O Procon-SP integra a força-tarefa e recebe denúncias pelo Disque 151 e pelo site www.procon.sp.gov.br, com opção de anonimato. Denúncias também podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181 e pelo site da Polícia Civil.

As fiscalizações foram intensificadas, incluindo festas universitárias, bares e adegas. Em Araraquara, 1.400 garrafas foram inspecionadas em uma festa universitária, sem indícios de adulteração. No ABC, 10 estabelecimentos foram vistoriados. O trabalho é tanto preventivo quanto repressivo, visando garantir a segurança do consumidor.

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