DECISÃO

Influenciadoras são condenadas por injúria racial contra crianças negras

Justiça do Rio determinou 12 anos de prisão e indenização às vítimas em caso de racismo recreativo; decisão é de primeira instância e cabe recurso


Redação
Publicado em 20/08/2025, às 11h00

FacebookTwitterWhatsApp

Influenciadoras são condenadas por injúria racial contra crianças negras
Nancy Gonçalves e Kerollen Cunha tiveram perfis bloqueados nas redes sociais - kerollenenancy_/Instagram


A Justiça do Rio condenou as influenciadoras digitais Nancy Gonçalves Cunha Ferreira e Kerollen Cunha a 12 anos de prisão por injúria racial. Elas também terão de pagar indenização de R$ 20 mil a duas crianças negras, de 9 e 10 anos, alvo de vídeo publicado em 2023, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

No registro, Nancy e Kerollen, mãe e filha, oferecem uma banana e um macaco de pelúcia às crianças. O episódio foi classificado como “monstruosidade” pela juíza Simone de Faria Feraz, da 1ª Vara Criminal de São Gonçalo, responsável pela decisão.

Além da pena e da indenização, foi mantido o bloqueio de conteúdos e perfis das influenciadoras no YouTube, Instagram e TikTok. Juntas, elas somavam mais de 14 milhões de seguidores, levantando a suspeita de que os vídeos de teor racista tenham gerado lucro por monetização.



A denúncia do Ministério Público apontou que as duas eram titulares de canais nessas plataformas, e que a empresa de Nancy tinha como objeto social a pós-produção de vídeos e programas de TV. Isso reforça a tese de exploração do caso como entretenimento.

Para a advogada Fayda Belo, especialista em direito antidiscriminatório e responsável por denunciar o caso, o episódio é exemplo claro de racismo recreativo: “Dar um macaco e uma banana a duas crianças negras e ainda expor isso a milhões de seguidores é uma monstruosidade que animaliza e ridiculariza pessoas negras”, afirmou.

Na sentença, a juíza citou o pesquisador Adilson José Moreira, autor do livro Racismo Recreativo, que define a prática como projeto de dominação cultural, em que o humor serve de encobrimento para hostilidade racial e perpetuação de desigualdades.



A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso. Além disso, as influenciadoras poderão recorrer em liberdade.

* Com informações da Agência Brasil

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!