Prazo para envio termina nesta sexta-feira (29); omissão de rendimentos e aluguéis lidera motivos de inconsistências na Receita Federal

A contagem regressiva para o acerto de contas com a Receita Federal já começou. O prazo para enviar a declaração do Imposto de Renda 2026 termina nesta sexta-feira (29), e muitos contribuintes ainda correm contra o tempo para preencher o documento de forma correta e evitar a temida malha fina.
A estrategista financeira e contadora tributária Karol Dapousa alerta que a pressa costuma causar o erro mais comum nesta época: a omissão de dados. Segundo a especialista, a Receita Federal cruza todos os tipos de informações e a falta de atenção custa caro.
O pessoal esquece muito de declarar um aluguel pago ou recebido, ou alguma nota fiscal de médico que o paciente não pede no dia da consulta, mas o profissional emite", exemplifica.
Outra dúvida frequente envolve o período de apuração. A especialista esclarece que a declaração entregue em 2026 refere-se ao ano-calendário de 2025 (movimentações de 1º de janeiro a 31 de dezembro do ano passado). Já a nova isenção para quem ganha até R$5.000, que entrou em vigor em janeiro de 2026, só terá impacto prático na declaração de 2027.
Neste ano, muitos contribuintes enfrentam problemas com informações desencontradas entre o informe de rendimentos fornecido pela empresa e a base de dados da Receita Federal.
Karol explica que o sistema mudou. "Antigamente, as empresas faziam uma declaração chamada DIRF. Hoje, a Receita cruza as informações de outros locais, principalmente pelo eSocial. Quando ocorre a admissão de um funcionário, o sistema transmite todos os dados", detalha. Caso o contribuinte note alguma divergência no informe, ele deve procurar a empresa para solicitar a correção.
Trabalhos como freelancer e rendas extras também exigem declaração obrigatória. A omissão gera notificação e um prazo de até dois anos para a regularização ou justificativa. Se o contribuinte não resolver a pendência, a Receita aplica uma multa com valor elevado.
Quem investe no exterior ou possui patrimônio digital, como criptomoedas, precisa redobrar a atenção. No passado, corretoras atuavam sem regulamentação rigorosa no país, mas o cenário mudou. "Hoje, todas são obrigadas a ter CNPJ no Brasil. Elas informam as movimentações bancárias a cada seis meses. Então, essas informações de investimento cruzam na base da Receita", alerta a contadora.
Para quem busca reduzir o imposto devido, a especialista lembra que é possível abater gastos com escola e serviços médicos e odontológicos, desde que devidamente comprovados com notas fiscais.
Com o prazo prestes a acabar, a melhor estratégia para quem ainda tem dúvidas em algum preenchimento é não atrasar o envio.
A especialista garante que dá tempo de evitar o prejuízo. "Dá para declarar agora e, caso haja algum erro, o contribuinte pode retificar depois. A retificação não gera multa. Você tem até esta sexta-feira (29) para entregar e foge da penalidade por atraso", orienta Karol.
*Com informações do quadro Papo de Finanças, da TV Cultura Litoral.