Governo afirma que tarifa ficou 15% menor do que a projeção para o modelo estatal; aumento reflete apenas a inflação (IPCA) acumulada desde o início da concessão

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) autorizou o reajuste das tarifas de água e esgoto da Sabesp. Os novos valores passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2026.
O índice aprovado foi de 6,11%. Segundo o governo do estado de São Paulo, o percentual corresponde apenas à correção da inflação medida pelo IPCA nos últimos 16 meses, período que abrange desde o início do novo contrato de concessão, em julho de 2024, até outubro de 2025.
Com a atualização, o custo do metro cúbico para a tarifa residencial sofrerá alterações nas faixas de consumo:
A Sabesp emitiu comunicado para informar que está autorizada a aplicar reajuste médio de 6,5% nas tarifas vigentes, mas não detalhou a diferença entre esse percentual e os 6,11% divulgados pela agência reguladora.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou que a revisão não gera aumento real para o consumidor. Segundo ela, a tarifa de referência ficou 15% abaixo do valor que seria praticado, caso a Sabesp ainda fosse empresa estatal.
O contrato foi pensado com mecanismos de garantia da modicidade tarifária, que permitem que a população tenha bem mais investimentos sem que isso pese na conta", afirmou a secretária.
O governo utilizou recursos do Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp), criado com verbas da privatização, para conter o reajuste.
Desde a privatização em julho de 2024, a Sabesp investiu cerca de R$ 15 bilhões em infraestrutura, um salto de 151% em comparação ao período anterior.
O novo modelo regulatório adotado, conhecido como backward looking, prevê que a concessionária seja remunerada apenas pelos investimentos já realizados e devidamente auditados pela Arsesp. O contrato de concessão estipula R$ 70 bilhões em investimentos até 2029.