Setor aponta alta de até 15% nos preços do café nos próximos dias, após queda no consumo e desafios no abastecimento de grãos de qualidade

A indústria do café no Brasil projeta aumento de até 15% no preço do produto ao consumidor nos próximos dias. A previsão se baseia em fatores ligados ao custo da matéria-prima, à pressão do mercado e às recentes dificuldades de abastecimento de grãos de qualidade.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo no varejo registrou queda de 5,41% no acumulado de janeiro a agosto de 2025. O desempenho negativo reforça os efeitos da alta nos preços sobre o bolso do consumidor e sinaliza uma possível retração maior caso os valores continuem em escalada.
De acordo com dados da entidade, o segundo quadrimestre de 2025 teve retração de 5,46%em relação ao mesmo período do ano passado. O número confirma a continuidade da tendência já registrada no primeiro quadrimestre, quando a redução havia sido de 5,13%.
A variação por mês também revela oscilações significativas. Julho de 2025, por exemplo, teve queda de 11,33% frente ao mesmo mês de 2024, enquanto agosto apresentou melhora relativa, com retração menor, de 4,23%. Ainda assim, o resultado acumulado do ano segue negativo.
Em meio a esse cenário, o abastecimento de grãos, que havia se normalizado em maio e junho, voltou a apresentar sinais de seletividade entre agosto e setembro. A dificuldade na obtenção de café cru de qualidade pressiona os preços e limita a oferta de algumas categorias.
O reflexo já aparece nos valores médios praticados pelo varejo. Em agosto de 2025, o quilo do café tradicional e extraforte custava em média R$ 62,83, enquanto o gourmet atingia R$ 117,92 e o especial chegava a R$ 145,17. O solúvel, que teve a maior variação, alcançou R$ 252,36, alta de 50,59% em um ano.
As cápsulas, por outro lado, apresentaram comportamento diferente. Apesar do preço elevado, com média de R$ 413,73 por quilo, a categoria registrou redução de 1,43% em comparação a agosto de 2024, o que pode indicar ajustes de mercado ou maior competitividade entre marcas.
A Abic ressalta que a cadeia produtiva tem mostrado resiliência diante das oscilações, reforçando o compromisso com a qualidade do café oferecido ao consumidor brasileiro. A entidade afirma que o setor enfrenta desafios, mas mantém esforços para garantir abastecimento e variedade nas prateleiras.
Especialistas ouvidos pela entidade avaliam que o impacto da nova alta prevista de até 15% deve se refletir diretamente nas gôndolas dos supermercados já nas próximas semanas. O movimento pode intensificar a queda no consumo interno, ampliando os efeitos da retração observada em 2025.
Com a valorização do produto, a Abic acredita que o café brasileiro se mantenha como um dos itens mais sensíveis na cesta de consumo nacional, e afirma que o cenário reforça a importância de políticas de incentivo e planejamento para equilibrar oferta, preço e demanda nos próximos meses.