Cepea alerta que, sobretaxa de 50% imposta por Trump, pode derrubar exportações, pressionar preços internos e afetar produtores em todo o país

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, preocupa especialistas em economia agrícola. O alerta foi feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Entre os setores mais ameaçados estão o de suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas. Todos têm forte presença nas exportações para os Estados Unidos, que agora podem perder competitividade e sofrer prejuízos.
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No caso do suco de laranja, o impacto é imediato. Hoje já existe uma taxa fixa de US$ 415 por tonelada. Com a nova sobretaxa, o custo de entrada no mercado norte-americano sobe, tornando o produto brasileiro menos atrativo, mesmo com a previsão de safra abundante em São Paulo e no Triângulo Mineiro.
O café também está na lista de risco. Os Estados Unidos consomem um quarto da produção brasileira, especialmente da variedade arábica. Sem produção própria, os norte-americanos podem enfrentar escassez e preços mais altos, afetando cafeterias, indústrias e varejo.
Para a carne bovina, os EUA são o segundo maior destino, atrás apenas da China. Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram os embarques. Mas, nos últimos meses, o volume caiu, enquanto a China aumentou suas compras. Mesmo com alternativa, o cenário traz incertezas.
Entre as frutas frescas, a manga e a uva devem ser as primeiras atingidas. As exportações começam entre agosto e setembro, justamente quando a tarifa começa a vigorar. Há relatos de produtores adiando embarques por causa da incerteza.
A consequência imediata pode ser o redirecionamento para a Europa ou o mercado interno. Isso pode causar desequilíbrio entre oferta e demanda e derrubar os preços pagos ao produtor rural brasileiro.
Diante do cenário, o Cepea defende uma reação urgente por parte do governo federal. “É estratégica uma articulação diplomática para revisar ou excluir as tarifas impostas aos alimentos brasileiros”, afirma a entidade.