Levar conchas para casa, alimentar animais marinhos e jogar lixo são alguns dos problemas; preservação depende de senso coletivo

Ações que não devem ser feitas nas praias vão além das regras de convivência óbvias. Pequenas atitudes, muitas vezes vistas como inofensivas, podem causar danos sérios ao meio ambiente e até gerar multas.
Entender o que não fazer ajuda a proteger o mar, os animais e garante que a praia continue como espaço saudável para todos.
Levar conchas como lembrança de uma viagem agradável parece uma atitude inocente. Porém, essa prática afeta diretamente o equilíbrio do ecossistema marinho. As conchas fazem parte do corpo de moluscos, como ostras e mariscos, e têm função de proteção e sustentação.
Segundo o biólogo marinho Luís Felipe Natálio, em entrevista ao Costa Norte, após a morte natural desses animais, as conchas seguem dois caminhos. Elas podem servir de abrigo para outros organismos, como ermitões e até polvos, ou podem se decompor e liberar cálcio na água do mar, elemento essencial para a formação de novas conchas e até de recifes de corais, que já sofrem com as mudanças climáticas.
A retirada constante, para o especialista, reduz esse ciclo natural. Em praias nas quais isso ocorre com frequência, pode faltar cálcio disponível na água, o que prejudica espécies que dependem desse mineral para sobreviver e se desenvolver.
Em cidades litorâneas, é comum encontrar conchas à venda em lojas de artesanato. Algumas pessoas pensam em comprá-las para devolvê-las ao mar. Apesar da boa intenção, não é recomendado.
Muitas dessas conchas recebem verniz, ou produtos químicos, para ficarem brilhantes e próprias para decoração. Ao serem jogadas no mar, essas substâncias podem contaminar a água.
Além disso, conchas de outras regiões podem carregar ovos, ou restos de organismos marinhos. Isso aumenta o risco de bioinvasão, quando espécies estranhas são introduzidas em novo ambiente.
Dar pão, restos de comida, ou ração, para os peixes é um erro comum. Esse hábito altera o comportamento natural dos animais e pode causar doenças. Além disso, os resíduos afetam os corais e a qualidade da água.
A comercialização de corais é crime ambiental no Brasil. Prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais, no artigo 33 da Lei nº 9.605/1998. Comprar esse tipo de produto incentiva a retirada ilegal e acelera a degradação dos recifes, essenciais para a vida marinha.
Os corais servem de abrigo para diversas espécies e ajudam a proteger a costa contra a erosão. Sem eles, todo o ecossistema fica ameaçado.
O lixo descartado na areia, ou no mar, pode ser ingerido por animais e causar ferimentos, ou até mesmo a morte deles. Plásticos são especialmente perigosos, pois se acumulam e demoram anos para se decomporem.
Outro problema é a captura excessiva de animais da praia, como ermitões e corruptos. Retirá-los do ambiente, inclusive para usar como isca, coloca essas espécies em risco e reduz a biodiversidade local.
Algumas atitudes simples fazem diferença. Não colete conchas, corais, estrelas do mar, ou carapaças. Não alimente peixes e não jogue lixo no mar. Evite comprar artesanato feito com elementos naturais retirados da praia.
Cuidar da praia é responsabilidade de todos. Ao mudar pequenos hábitos, como não tomar atitudes acima descritas, ajuda a preservar o mar e garante que outras pessoas também possam aproveitar esse espaço.