Estruturas subterrâneas e aéreas ajudam a reduzir atropelamentos e preservar a biodiversidade; levantamento da Artesp prevê outras 121 travessias

Capivaras, tatus, cotias, onças e lobos-guarás estão entre os animais silvestres que podem ser encontrados nas proximidades das rodovias paulistas. Para reduzir os riscos de atropelamentos e proteger a biodiversidade, as estradas concedidas contam com estruturas que permitem a travessia segura da fauna entre áreas naturais.
De acordo com um levantamento da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), as rodovias concedidas paulistas possuem 415 estruturas de travessia de fauna implantadas e em funcionamento, com previsão de implantação de outras 121. O levantamento citado pela Agência tem como referência o ano de 2015.
As estruturas são, em sua maioria, passagens subterrâneas que permitem aos animais atravessar por baixo das rodovias, sem acessar diretamente a pista de rolamento. Muitas delas aproveitam bueiros, galerias de drenagem e pontes adaptadas para facilitar o deslocamento da fauna e reduzir o risco de acidentes.
Também existem soluções aéreas destinadas a espécies que vivem ou se deslocam pelas árvores. Entre elas estão pontes suspensas entre as copas e viadutos vegetados, que favorecem a circulação de primatas e outros animais arborícolas.
Segundo a Artesp, as passagens em funcionamento estão distribuídas em pontos estratégicos de 29 rodovias. Os animais costumam utilizar as estruturas subterrâneas principalmente no início da manhã e durante a noite, períodos em que saem em busca de água e alimento.
Entre os exemplos citados pela Artesp está a rodovia dos Tamoios (SP-099), que conta com 17 passagens de fauna em operação. Desse total, 14 são subterrâneas e três são aéreas. O conjunto inclui duas estruturas aéreas voltadas à travessia de primatas e um viaduto vegetado, apontado pela Agência como o primeiro desse tipo no Estado de São Paulo.
No Rodoanel Norte, a concessionária Via SP Serra instalou cinco passagens inferiores, do tipo galeria. Outras 15 passagens aéreas estão previstas para os trechos do entorno da rodovia.
Na região de Ribeirão Preto, a rodovia Antônio Machado Sant’Anna (SP-255) recebeu a primeira passagem aérea de fauna suspensa. A concessionária Arteris ViaPaulista já implantou 40 estruturas ao longo da concessão e prevê outras 52 nos lotes com obras em andamento. Já a SPVias mantém 29 passagens distribuídas pelas cinco rodovias sob sua administração.
A ampliação também está prevista em outros contratos. Nas rodovias administradas pela Eixo SP, 32 novas travessias deverão se somar às 33 existentes. Na concessão da Entrevias, estão previstas outras 30 estruturas.
Os projetos da Nova Raposo e da Rota Sorocabana preveem, juntos, a implantação de 50 passagens de fauna, com investimento estimado em R$ 16,9 milhões.
A Nova Raposo deverá receber 22 estruturas, sendo 11 aéreas e 11 subterrâneas, com investimento de R$ 7,4 milhões. Já a Rota Sorocabana prevê 28 passagens, com investimento de R$ 9,5 milhões.
As concessionárias responsáveis também deverão apresentar estudos anuais para identificar os trechos com maior risco de atropelamento de animais. Os resultados devem ser encaminhados à Artesp e à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Além das travessias, as medidas de proteção incluem cercas para direcionar os animais, sinalização de advertência, redução de velocidade em áreas próximas a habitats naturais, campanhas educativas e monitoramento da movimentação da fauna.
Na Baixada Santista, a concessionária Novo Litoral promoveu fiscalizações na rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055), entre Itanhaém e Itariri, e identificou 13 animais de grande porte, sendo sete bovinos e seis equinos. Todos receberam identificação por microchip.
A ação teve acompanhamento da Polícia Militar Rodoviária e contou com procedimentos conduzidos por um médico-veterinário, conforme os protocolos aplicáveis. A identificação eletrônica permite rastrear os animais e identificar seus responsáveis em caso de ocorrência.
A concessionária também resgatou uma fêmea de bicho-preguiça que carregava um filhote nas costas, às margens da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em Pedro de Toledo. O caso ocorreu durante o feriado de 12 de outubro, quando uma equipe de inspeção de tráfego encontrou os animais em situação de risco de atropelamento.
Após o acionamento do apoio operacional, os animais foram encaminhados a um instituto parceiro. No local, foram identificados ferimentos e escoriações, e os dois permaneceram sob cuidados para recuperação.
Em setembro, a SPVias resgatou um lobo-guará na rodovia Antônio Romano Schincariol (SP-127), na altura do km 173, em Itapetininga. O animal foi encaminhado com vida ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), da Unesp, para avaliações e procedimentos necessários. A possibilidade de retorno à natureza depende da recuperação.
As rodovias também contam com placas de advertência em trechos com maior probabilidade de travessia de animais. O Código de Trânsito Brasileiro prevê sinalização para alertar os motoristas sobre a presença de animais domésticos, de criação ou silvestres.
Ao avistar um animal na pista ou nas proximidades, o condutor deve reduzir a velocidade gradualmente, manter distância segura dos demais veículos e observar os movimentos do animal.
É importante evitar freadas ou manobras bruscas, mudanças repentinas de faixa e tentativas de desvio sem condições seguras. Também não se deve buzinar, acelerar em direção ao animal ou utilizar o farol alto para afugentá-lo, pois essas atitudes podem provocar reações imprevisíveis.
Caso encontre um animal em situação de risco, o motorista deve comunicar a concessionária responsável pelo trecho, por meio dos canais de atendimento disponíveis. O aviso permite que as equipes operacionais adotem medidas de proteção à fauna e de segurança para quem trafega pela rodovia.