‘MORTE DO FUTEBOL’?

Clubes preocupados: como o fim das bets deve afetar o futebol brasileiro

Casas de apostas investem mais de R$1 bilhão de reais por ano apenas em clubes da série A do campeonato Brasileiro, como patrocinadores master

Imagem de jogador do Santos e do São Paulo
Quase todos os clubes com séria A têm uma bet como sua patrocinadora master - Reprodução/Reinaldo Campos/Santos FC - Rubens Chiri/São Paulo FC


O futebol brasileiro sofreu um choque financeiro com a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe as casas de apostas no Brasil. E não é para menos; apenas como patrocinadores master, as bets investem mais de R$1 bilhão por ano em clubes da séria A do Brasileirão, que já demonstraram preocupação com a proibição antes mesmo de ela se efetivar.

Prejuízo

Os clubes mais prejudicados com a decisão (caso ela se torne definitiva) são Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Atlético Mineiro, que recebem os maiores valores pelo patrocínio master do futebol brasileiro, todos de casas de apostas.

Confira abaixo o levantamento dos maiores patrocínios master dos clubes da Série A em 2026, pagos por ano:

  • 1° - Flamengo: R$268 milhões — Betano (bet)
  • 2° - Palmeiras: R$170 milhões — Sportingbet (bet)
  • 3° - Corinthians: R$150 milhões — Esportes da Sorte (bet)
  • 4° - São Paulo: R$95 milhões — Superbet (bet)
  • 5° - Atlético Mineiro: R$60 milhões — H2Bet (bet)
  • 6° - Botafogo: R$55 milhões — Vbet (bet)
  • 7° - Fluminense: R$53 milhões — Superbet (bet)
  • 8° - Vasco: R$50 milhões — Sportingbet (bet)
  • 9° - Grêmio e Cruzeiro: R$40 milhões — Pitaco (bet) / Betnacional (bet)
  • 10° - Santos: R$35 milhões — Novibet (bet)
  • 11° - Red Bull Bragantino: R$31 milhões — Red Bull (bet)
  • 12° - Vitória: R$20 milhões — 7K (bet)
  • 13° - Remo: R$12 milhões — VaideBet (bet)
  • 14° - Mirassol: R$9 milhões — Poty (marca de bebidas); valor referente a todos os patrocínios juntos
  • 15° - Athletico Paranaense, Bahia e Internacional: sem patrocinador master no momento. Os últimos patrocinadores master de todos estes clubes eram casas de apostas. Os encerramentos dos contratos ocorreram antes da Medida Provisória que proíbe as bets, ou seja, não tem relação com a MP
  • ?° - Chapecoense e Coritiba: valor desconhecido — ZeroUm Bet (bet) / Foxlux (empresa de iluminação, materiais elétricos e ferramentas)

Preocupação dos clubes

Diversos clubes já se posicionaram contra a medida, pelo menos para este momento, devido à falta de tempo para acordos com as casas de apostas.

No dia 17 de setembro já haviam movimentações sobre a possibilidade das bets serem banidas no país, e foi quando os quatro grandes clubes do estado de São Paulo se juntaram à Federação Paulista de Futebol (FPF) para um posicionamento contra a decisão.

Na nota, publicada no Instagram, em colaboração entres os perfis de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, os clubes argumentam que esse poderia ser o fim do futebol brasileiro. Parte da nota diz:



Não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente este investimento. A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência”.

Qual a saída para os clubes?

O Santos dá um exemplo do que os clubes podem fazer neste momento. Segundo o jornalista Lucas Musetti, o Peixe conversou com sua patrocinadora master, a Novibet, e decidiu em comum acordo por um “congelamento” do patrocínio neste momento, pelo menos enquanto ainda não há uma decisão definitiva sobre o fim das bets, que pode ou não ser aprovada de forma fixa.

Enquanto isso, a Novibet aceitou que o Santos busque patrocínios pontuais para substituí-la momentaneamente, por uma quantidade específica de jogos. A empresa que aparece como favorita é a Cimed, do ramo farmacêutico, que tem boa relação com Neymar e seu pai.

Caso a medida provisória seja derrubada, o contrato entre Santos e Novibet pode ser reativado. Uma saída mais difícil para os clubes seria aceitar patrocínios de valor menor daqui em diante, já que, dificilmente, outros segmentos econômicos terão dinheiro para pagar aos clubes o mesmo que recebem hoje das bets.



Há nove anos, os clubes brasileiros dominam o futebol sul-americano, protagonismo que tem impacto das bets. O último time campeão da Libertadores que não é brasileiro, por exemplo, foi o River Plate, da Argentina, em 2018.

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