CANOA HAVAIANA

Canoísta de Santos busca desafio de mais de 24 horas em mar aberto

Ultramaratonista Alexandra Pozte prepara travessia solo com trechos de mar aberto e ondulação, prevista para fevereiro, no litoral paulista


Redação
Publicado em 19/12/2025, às 11h18

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Canoísta de Santos,  Alexandra Pozt,  busca desafio de mais de 24 horas em mar aberto
Canoísta santista Alexandra Pozte, conhecida como “Japa”, intensifica treinos para desafio individual de longa distância - Arquivo pessoal / Divulgação


Movida por desafios cada vez maiores, a ultramaratonista de canoa havaiana Alexandra Pozte, de Santos, no litoral paulista, se prepara para a principal prova individual de longa distância da carreira.

A atleta do Clube de Regatas Vasco da Gama/Meta Va’a planeja remar por mais de 24 horas ininterruptas, em travessia solo, com trechos de mar aberto e ondulação, prevista para fevereiro.

Para viabilizar o projeto, busca patrocinadores que ajudem a cobrir os custos da operação. A travessia contará com barco de apoio, que permitirá paradas rápidas para alimentação e hidratação, sem que a atleta deixe a canoa.



O percurso segue mantido em sigilo, mas já passa por estudos técnicos com o apoio de uma oceanógrafa, que analisa marés e correntezas, para garantir segurança e estratégia à prova.

“Quero me desafiar a remar por mais de 24 horas seguidas, sem revezamento ou parada, apenas ficando ao lado do barco de apoio para a hidratação e suplementação. Levando meu corpo ao limite e testando minha mente”, afirma. “Muitos me perguntam o porquê da loucura. Eu respondo: isso me motiva a viver.”

Com histórico em provas de longa distância, Alexandra acumula desafios, como a travessia de Salvador a Morro de São Paulo, na Bahia, com 60km, e a Volta na Ilha de Itaparica, também no litoral baiano, com 90km.



Canoísta de Santos busca desafio de mais de 24 horas em mar aberto
Atleta santista mantém treinos intensos para garantir conclusão do desafio - Arquivo pessoal / Divulgação

A preparação inclui treinos intensificados sob orientação do remador Rogério Mendes, da Meta Assessoria, com sessões longas durante a semana, treinos extensos aos sábados e atividades específicas de privação de sono.

“Os treinos estão bem intensos. Temos dois minilongos no meio da semana, o nosso longão de sábado e agora vamos começar com os treinos de privação do sono. Então, serão bem puxados. Eu sempre digo que, se consigo passar pela maratona dos treinos semanais, o desafio será fácil. Como diz meu treinador, treino duro, combate fácil”, diz.



Aos 51 anos, a atleta santista tem trajetória marcada pelo esporte. Ex-nadadora, conheceu a canoa havaiana há cerca de oito anos e competiu em equipes por cinco temporadas.

Nos últimos três anos, passou a disputar provas individuais de longa distância. “Sempre amei água e mar, fui fazer uma aula experimental e não larguei mais. Não visava o individual até surgir uma oportunidade de comprar minha primeira canoa e foi um caminho sem volta”, recorda.

Além do projeto solo, Alexandra segue em competições por equipe. Ela integra uma canoa 50+ que garantiu vaga para o Panamericano da modalidade, no Chile, e se prepara para o Campeonato Brasileiro de 2026. “É bom também remar em equipe”, comenta.



Para o novo desafio, a atleta planeja contar com a nutricionista Dani Lovatel e a enfermeira Raquel de Castro, ambas remadoras experientes, além do barco de apoio. “Terei um barco de apoio e vou com uma nutricionista e uma enfermeira, que também remam e conhecem bem. A motivação é total e sei que conseguirei, mas preciso ter um patrocínio para isso”, ressalta.

Fora da canoa, Alexandra trabalha como massoterapeuta em Santos, com rotina intensa. “Atendo, às vezes, até às 22h, trabalho de segunda a segunda. Não é fácil conciliar trabalho com treino e descanso, pois vivo em movimento dos braços, mas quando você trabalha no que ama e faz o esporte que ama, tudo dá certo”, completa.

Desafio mais duro na Bahia

Até hoje, o maior teste da carreira ocorreu na Volta na Ilha de Itaparica, em dezembro de 2024. Foram 90km percorridos em mais de 13 horas de prova.



“Peguei todas as condições de mar e tempo. A canoa atolou, tive que carregá-la por um tempo no meio da prova, depois entrou um vento lateral muito forte, com muita ondulação. Um trecho de quase 10km fiz em mais de duas horas remando de lateral. Foi sofrido, chorei muito de dor e câimbra, mas desistir não fazia parte do meu propósito”, lembra.

“Cheguei e desci carregada, mas foi lindo e o povo da Bahia com sua energia me renovou. Faria tudo de novo e lá me consagrei ultramaratonista de canoa havaiana, desafio chancelado pelo Yatch clube da Bahia e pela federação baiana”, afirma. “O que mais me motiva, é conseguir conciliar os treinos com meu trabalho e minha vida pessoal. Sou movida a desafios e me autodesafiar me fascina.”

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