VALORIZAÇÃO

Dia dos professores: desafios da docência entre a inteligência artificial e o vínculo com os alunos

Excesso de telas e redes sociais exige do professor habilidades socioemocionais para engajar os alunos


Redação
Publicado em 15/10/2026, às 12h42


imagem de um professor ensinando a crianças em sala de aula
Professores e estudantes debatem o papel da docência em uma era de respostas instantâneas promovida pela inteligência artificial - Reprodução/Envato


Neste 15 de outubro, data em que se celebra o Dia do Professor, a reflexão sobre o papel da docência ganha contornos urgentes em meio ao avanço vertiginoso das tecnologias digitais.

Em um cenário no qual a inteligência artificial oferece respostas imediatas e os smartphones disputam a atenção dos jovens a cada segundo, a função do educador se transforma.

A profissão enfrenta o desafio de equilibrar a autoridade pedagógica, o domínio das novas ferramentas tecnológicas e o fortalecimento de vínculos afetivos em sala de aula. Foco na orientação, no estímulo à curiosidade e na conversão do excesso de dados em conhecimento real.

Esse debate manifesta-se desde a fase de formação dos novos docentes. De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, apenas 14,7% das pessoas que escolheram ingressar em cursos de licenciatura estavam entre os 20% com melhor desempenho no Enem 2024.

O levantamento ressalta a necessidade de maior valorização salarial, plano de carreira atrativo e preparo metodológico para reter talentos no magistério.

Suporte emocional e habilidades para o tempo presente

Além do rigor acadêmico, habilidades socioemocionais como escuta ativa, empatia e comunicação assertiva conquistaram espaço definitivo no cotidiano escolar. Para Vicente Delorme, diretor de unidade do Colégio pH, no Rio de Janeiro, o modelo do professor como mero expositor de aulas tornou-se insuficiente para as demandas contemporâneas.



Nosso olhar para os alunos tem sido ampliado para horizontes emocionais, afetivos e atitudinais. A dedicação ao suporte emocional e a possíveis conflitos escolares exigem, do professor atual, habilidades que talvez passassem batidas ao professor do passado, mas que hoje são fundamentais a um bom educador", avalia.

O educador pontua que a hiperconectividade e o uso contínuo de telas após o período pandêmico impactaram a capacidade de concentração e a autonomia dos estudantes na organização da rotina de estudos, exigindo que a escola crie um ambiente seguro e acolhedor para a aprendizagem.

Inspiração da nova geração de educadores

É nesse contexto desafiador que jovens estudantes que planejam cursar licenciatura projetam o futuro da carreira que escolheram abraçar.

Aos 17 anos, Vitória Marques pretende cursar licenciatura em letras. Para ela, o acolhimento e a criatividade pedagógica funcionam como pilares para engajar as turmas:



Eu gostaria de ser uma professora acolhedora, que busca inovar nos métodos de ensino para transformar a sala de aula em um ambiente divertido, porque o aprendizado é mais fácil quando é leve e as pessoas estão dispostas e têm interesse em aprender", relata.

A crença na transformação social por meio da escola também guiou a escolha de Lara Monteiro, de 17 anos, futura aluna de licenciatura em história. Inspirada na trajetória do avô e de antigas professoras, Lara enxerga na docência um compromisso com o futuro dos jovens:

O que me despertou a vontade de ser professora foi a esperança de que a educação muda vidas. Eu admiro o poder da educação em transformar o futuro dos jovens", pontua.

A convergência entre a experiência dos veteranos e o entusiasmo das novas turmas confirma que, em 2026, ensinar continua a ser um ato humano insubstituível.

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