Levantamento do Instituto Locomotiva também mostra que 83% dos adultos acreditam que crianças preferem telas a brincadeiras na rua
Redação
Publicado em 12/10/2026, às 09h58

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 82% dos adultos brasileiros são contrários à exposição de crianças de até três anos de idade a celulares.
Em contrapartida, 15% são favoráveis ao uso dos aparelhos nessa faixa etária.
O levantamento foi divulgado na sexta-feira (9), às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro.
A resistência ao uso de telas também é expressiva entre crianças de quatro a sete anos: 75% dos entrevistados se posicionam contra a exposição nessa idade.
Já quando o assunto é ter um celular próprio, 52% dos adultos aceitam que a criança receba o aparelho até os 12 anos.
O estudo ouviu 1.367 homens e mulheres com 18 anos ou mais, entre 28 de setembro e 6 de outubro.
O uso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes também é tema de orientações do governo federal.
Publicado no ano passado, o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais recomenda que crianças com menos de dois anos não sejam expostas a telas, com exceção de situações como videochamadas com familiares.
A discussão sobre a idade adequada para o primeiro celular também aparece em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em agosto deste ano, informações divulgadas pelo instituto mostraram uma redução no percentual de crianças de 10 a 13 anos que possuem aparelho próprio.
Outra medida relacionada à proteção dos mais jovens é o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor em 2026.
Entre as regras previstas está o reforço da supervisão parental no ambiente digital. Menores de até 16 anos precisam ter suas contas em redes sociais vinculadas às de um responsável legal.
A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre os hábitos de lazer das crianças. Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados acreditam que as crianças de hoje não querem mais brincar na rua e preferem ficar diante do celular ou da televisão.
Ao mesmo tempo, 73% consideram que brincar na rua é melhor para o desenvolvimento infantil do que permanecer diante das telas.
Os resultados mostram a preocupação dos adultos com o espaço ocupado pelos dispositivos digitais na rotina das crianças e com a preservação de atividades tradicionais de lazer, como as brincadeiras ao ar livre.
Além do uso de celulares, o Instituto Locomotiva investigou a percepção dos brasileiros sobre os estereótipos de gênero durante a infância.
De acordo com a pesquisa, 63% defendem que as brincadeiras não devem ser classificadas como atividades exclusivas de meninos ou meninas.
“Quando a maioria dos brasileiros diz que não existe brincadeira de menino ou de menina, isso mostra que essa ideia já ganhou espaço na sociedade”, afirmou o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.
Apesar disso, os dados indicam que o preconceito ainda persiste. Segundo o levantamento, 36% dos entrevistados consideram errado que meninos brinquem de boneca e meninas, de carrinho.
A reprovação é maior entre os homens, com 46%, do que entre as mulheres, percentual que chega a 27%.
Os resultados apontam para uma diferença entre a aceitação da ideia de que as brincadeiras não devem ter gênero e a aplicação desse entendimento no cotidiano.
Para Meirelles, o desafio é transformar essa percepção em prática e superar os preconceitos que ainda influenciam as escolhas e as atividades das crianças.
Com informações da Agência Brasil