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Nevoeiros no litoral de SP escondem mudança climática violenta, alerta climatologista

Velocidade das mudanças climáticas vem afetando até a previsão do tempo; saiba mais detalhes sobre a presença constante do fenômeno no litoral de SP


Esther Zancan
Publicado em 09/09/2024, às 15h12

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Nevoeiros no litoral de SP "melaram" o feriado de 7 de setembro de muita gente - Esther Zancan
Nevoeiros no litoral de SP "melaram" o feriado de 7 de setembro de muita gente - Esther Zancan


Desde julho o litoral de São Paulo tem observado uma constante em seu clima: a presença de densos nevoeiros. Se o fenômeno nunca foi uma novidade para esta época do ano, entre julho e setembro, o que chama a atenção neste 2024 é a frequência, e também os horários não habituais para os nevoeiros, como o fim da tarde e durante a noite. Mas, afinal, o que será que está acontecendo?

“Por detrás desse aparente inofensivo nevoeiro, reside uma mudança climática violenta”, disse o climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, de Santos, ao Portal Costa Norte. “Estamos vivendo um cenário distópico, uma distopia climática. Há uma emergência climática violenta, que vem surpreendendo os cientistas climáticos, devido à velocidade que os acontecimentos vêm ocorrendo” As mudanças já eram esperadas há 20 anos, mas a frequência e a velocidade vem espantando”, seguiu Bonafim.

Prova de que os nevoeiros este ano estão acima de qualquer padrão pré-estabelecido é que até o litoral norte paulista, que era muito pouco afetado pelos nevoeiros, também vem sendo atingido frequentemente pelo fenômeno, mais típico do litoral sul e Baixada Santista, lembrou o climatologista.



E se você está se perguntando se esse nevoeiro vai prosseguir, a resposta não é tão simples assim. “A previsão do tempo vem sendo muito afetada com essa situação (de mudança climática). Nesse fim de semana, por exemplo, a temperatura em Curitiba foi mais alta que no litoral paulista”, disse Bonafim. Ele prosseguiu: “Os climatologistas, que estudam a atmosfera a médio e longo prazo,  estão 'entrando em parafuso'. Os meteorologistas, então, pior ainda, pois eles trabalham com o curto prazo”.

Realmente, os mais observadores já devem ter notado que anda difícil a previsão do tempo cravar um prognóstico. A perspectiva para o fim de semana do feriado de 7 de setembro era de tempo bom para o litoral paulista, inclusive com calor. E o que se viu de fato foi um tempo carrancudo, com temperaturas amenas, o que obrigou muito turista a correr para as lojas em busca de agasalhos, já que não tinham vindo preparados para tal situação climática no litoral. De acordo com Bonafim, a temperatura ficou por volta dos 20 graus, mas a alta umidade do ar registrada na região, que oscilou entre 85 e 95%, contribuiu para que a sensação de frio fosse maior. 

Mesmo com a dificuldade imposta pelas mudanças climáticas à previsão do tempo, Bonafim disse que, provavelmente, o nevoeiro deva voltar esta semana no litoral paulista. A previsão oficial indica sol com muitas nuvens e temperaturas relativamente altas, podendo chegar a casa dos 30 graus. “Haverá dias com sol e bem menos névoa, mas dias com possibilidade de neblina. Não há  previsão de chuvas, pois a presença da neblina configura tempo estável”, lembrou o climatologista.



Nevoeiro de advecção

Bonafim explicou que o nevoeiro que vem deixando o litoral de São Paulo com uma vibe londrina é conhecido como nevoeiro de advecção, ou também como nevoeiro de mar. Esse tipo de fenômeno se difere da névoa, pois conta com uma concentração muito maior de gotículas de água, o que dificulta muito a visibilidade. 

Nevoeiro na praia
Nevoeiros têm surgido a qualquer hora do dia neste ano, no litoral paulista - Esther Zancan

Ainda segundo Bonafim, esse nevoeiro de mar acontece todos os anos, principalmente entre julho e agosto, algumas vezes se estendendo até setembro, e dependem muito da temperatura da água superficial do mar. Quando a temperatura da água não é tão baixa, como em anos de El Niño (aquecimento das águas do Pacífico equatorial), diminui a ocorrência de nevoeiros, como em 2023, quando a formação do fenômeno na faixa litorânea paulista foi pífia.



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O climatologista explicou ainda que os nevoeiros são resultado da combinação das temperaturas mais baixas da água do oceano Atlântico com as massas de ar tropicais que vêm do interior do Brasil e que descem para o litoral paulista. “Esse ano não tem mais El Niño e houve a incursão de massas de ar frio poderosas, principalmente pelo mar, o que acabou ocasionando uma temperatura superficial do oceano mais baixa. As queimadas no interior do Brasil também contribuem para a bolha de calor, que já estava alta devido às mudanças climáticas. Por isso, a frequência dos nevoeiros tem sido maior no litoral”, finalizou Bonafim. 



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