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Climatologista explica persistência de neblinas no litoral de SP neste mês

Neste mês de julho, os nevoeiros têm sido constantes e, o que mais chama a atenção, em horários incomuns, como ocorreu no domingo (28)


Esther Zancan
Publicado em 29/07/2024, às 14h03 - Atualizado às 14h23

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'Fog' caiçara no início da noite causou espanto até em quem está acostumado com as surpresas do clima - Rodolfo Bonafim
'Fog' caiçara no início da noite causou espanto até em quem está acostumado com as surpresas do clima - Rodolfo Bonafim


Uma densa neblina, em um horário do dia incomum para o fenômeno, deixou cidades do litoral de São Paulo, em especial da Baixada Santista, com um jeitão de Londres, no início da noite do domingo (28). O ‘fog’ caiçara chegou a gerar espanto até em quem está acostumado com as surpresas da meteorologia. “Não tenho ideia de já ter visto uma neblina tão densa assim no começo da noite”, disse o climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, de Santos.

Bonafim lembrou que, apesar do horário incomum, o fenômeno é bastante comum nesta época do ano, no litoral paulista. Em alguns anos, ele aparece mais vezes, outros menos, como em 2023, no qual o mês de julho foi mais quente, pois já começava a sofrer os efeitos do fenômeno El Niño, que consiste no aquecimento das águas do oceano Pacífico equatorial.

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O climatologista explicou que a neblina (ou nevoeiro) se forma porque a água do mar, nesta época do ano, já está mais fria;  há a pressão do ar quente que desce a Serra do Mar e que, ao se chocar com a superfície do mar fria, causa a condensação. Neste mês de julho, os nevoeiros têm sido constantes por causa da intensidade do ar quente tropical  e das queimadas no interior do Brasil, que pressionam a umidade no litoral. “Apesar de a neblina fazer parte do cenário do inverno da Baixada Santista, a persistência dessa neblina é efeito da mudança climática, como as chuvas registradas no Rio Grande do Sul este ano. É a descompensação climática, com alguns lugares muito quentes e secos, outros frios e úmidos, e outros chuvosos demais”, pontuou Bonafim. 

Neblina em Santos
Cidades do litoral paulista ficaram com cara de Londres no fim do domingo - Rodolfo Bonafim

La Niña

E, se no inverno de 2023, os efeitos do El Niño já começavam a ser sentidos, neste inverno 2024, é o La Niña que vai dar as cartas. O fenômeno consiste no resfriamento das águas do Pacífico equatorial. Mas Bonafim lembra que, no momento, ainda estamos em “La Nada”, um termo divertido que significa que as águas do Pacífico estão em neutralidade. O climatologista prevê que os efeitos do La Ninã só devem ser sentidos por aqui a partir de meados de agosto. Mas ele ressalta também que isso é uma probabilidade, não uma certeza. “Tem muita mídia por aí soltando que o La Niña vai impactar o clima no litoral de São Paulo, aquela coisa sensacionalista e apelativa, mas, a verdade é que a gente não tem a certeza absoluta ainda (sobre os efeitos do La Niña)”. 



Mas, se esses efeitos se confirmarem, quais serão eles? “Chuva, para variar”, brinca Bonafim. As pancadas de chuva devem ser mais fortes, diferentemente da garoa e neblina que imperaram no mês de julho. “A neblina e a névoa vêm impactando o clima no litoral de São Paulo neste mês de julho. Mas, a verdade é que a neblina é considerada tempo estável, tempo firme, por incrível que pareça. E, para derrubar essa situação de neblina, apenas outro sistema meteorológico, como no caso da frente fria que está chegando ao litoral neste início de semana”, explicou o climatologista.

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Bonafim também comentou que, como os efeitos do La Niña devem começar na mesma época na qual tem início a transição para a primavera, um período em que normalmente já chove no litoral paulista, este ano a situação deve ser um pouco pior, devido ao fenômeno no Pacífico. 



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