Defesa Civil iniciará operação um mês antes do habitual; fenômeno pode aumentar o risco de temporais, ressacas e alagamentos na Baixada Santista

A possibilidade de um El Niño de forte intensidade, com alta probabilidade de permanecer ativo até o início de 2027, levou a Defesa Civil de Santos a antecipar plano de contingência para o período de chuvas.
A medida busca preparar o município para a ocorrência de temporais, ressacas, ventos fortes e outros eventos climáticos que podem atingir a Baixada Santista durante a primavera e o verão.
Tradicionalmente iniciada em 1º de dezembro, a operação especial passará a vigorar entre 1º de novembro e 30 de abril. A antecipação tem como objetivo ampliar o tempo de preparação das equipes e reduzir os impactos provocados por chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e marés elevadas.
A principal preocupação da Defesa Civil está nas áreas de morro, onde há encostas ocupadas e maior risco de deslizamentos durante períodos de chuva acumulada. Além disso, a prefeitura reforçará o monitoramento das condições meteorológicas, a limpeza preventiva de canais e sistemas de drenagem e o acompanhamento da orla da praia, que pode ser afetada por ressacas mais intensas.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do planeta.
Confirmado em junho, o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, segundo o Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos federais como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os modelos climáticos apontam probabilidade superior a 90% de continuidade do episódio, com possibilidade de forte intensidade entre a primavera e o verão.
No Sudeste, os efeitos costumam ser menos uniformes do que em outras regiões do país, mas podem favorecer períodos prolongados de calor, chuvas irregulares e temporais concentrados em curto espaço de tempo.
A preocupação se estende a toda a Baixada Santista, que reúne características que aumentam a vulnerabilidade aos eventos climáticos, como áreas densamente ocupadas, encostas habitadas, regiões sujeitas a alagamentos e uma extensa faixa costeira exposta às ressacas.
Além de Santos, outros municípios também anunciaram medidas preventivas. Em Peruíbe, o plano de contingência prevê ações para enchentes, abertura de abrigos temporários, monitoramento do nível do rio Preto por sensores e cadastramento de voluntários.
Já São Vicente informou que mantém obras estruturais de drenagem, incluindo intervenções no canal da avenida Eduardo Souto, além da elaboração de um plano de macro e microdrenagem estimado em R$800 milhões.
Em Itanhaém, o programa Rios Vivos segue com o desassoreamento do rio Campininha, enquanto o município participa da elaboração de planos de adaptação às mudanças climáticas.
Mongaguá informou que mantém monitoramento constante das condições meteorológicas e executa ações preventivas, como limpeza de galerias, rios e córregos, além de planos específicos para períodos de chuva, estiagem e baixas temperaturas.
Com a antecipação do plano de contingência, Santos pretende chegar ao período tradicional de maior volume de chuvas com as equipes mobilizadas e as ações preventivas já em andamento.
A estratégia inclui monitoramento climático, reforço operacional, limpeza de sistemas de drenagem, acompanhamento das áreas de risco e preparação para possíveis ocorrências provocadas por temporais e ressacas.
A orientação é que a população acompanhe os alertas emitidos pelos órgãos oficiais e evite áreas sujeitas a alagamentos ou próximas ao mar durante episódios de ressaca intensa. Em situações de emergência, a recomendação é acionar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros.