Inmet registrou 34,2 ºC em Bertioga, na quarta-feira (10), maior marca desde 24 de dezembro de 2017, quando a cidade atingiu 35,6 ºC

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que Bertioga, no litoral de São Paulo, registrou, na quarta-feira (10), temperatura máxima de 34,2 ºC, a mais alta para a data desde o início das medições automáticas em 2017.
A cidade é o único município do litoral paulista com estação meteorológica oficial do órgão, responsável pelo monitoramento contínuo das condições atmosféricas.
Segundo o Inmet, a marca superou as temperaturas registradas nos últimos oito anos, o que caracteriza recorde para o período. Os dados históricos apontam ainda que o recorde geral de dezembro permanece o de 2017, com máxima de 35,6 ºC, registrada no dia 24.

Já no recorte dos últimos três anos, dezembro tem mantido médias elevadas: 34,6 ºC em 2023; 34,5 ºC em 2024 e 34,2 ºC até 10 de dezembro de 2025, patamar que pode elevar com a chegada do verão, do dia 21 de dezembro.
O calor intenso foi influenciado pela atuação de um ciclone extratropical que atingiu o Sul do país e modificou o padrão atmosférico no litoral paulista. O sistema criou um fluxo de ar quente vindo do interior do continente, o que aumentou as temperaturas e intensificou o clima abafado em cidades da Baixada Santista e litoral norte.
O climatologista Rodolfo Bonafim explicou que a massa de ar quente perdeu umidade ao cruzar a Serra do Mar, o que favoreceu o aquecimento adicional registrado na faixa litorânea.
Ele destacou que Santos ultrapassou 35 ºC e o Guarujá alcançou mais de 34 ºC, em um cenário típico do chamado "verão climático", iniciado em 1º de dezembro. No entanto, essas cidades não tiveram recorde de calor como o registrado em Bertioga.
Dados do Instituto Climatempo indicam que Bertioga e Guarujá registraram as rajadas mais intensas da região, com 91km/h, em Bertioga, onde os ventos oscilaram entre 80km/h e 88km/h, das 10h às 13h. Já na Base Aérea do Guarujá foi registrado 87km/h, com sucessivas rajadas entre 57km/h e 87km/h, entre 7h e 14 horas.
A forte ventania provocou quedas de árvores, danos estruturais em igrejas, casas e comércios, além de bloqueios viários em diversas cidades e lentidão na travessia de balsas.
Para os próximos dias, Bonafim afirmou que o calor deve persistir, com máximas entre 30 ºC e 32 ºC, embora inferiores às observadas na quarta-feira. Ele ressaltou que o La Niña pode reduzir a duração de ondas prolongadas de calor até o fim de dezembro, mas não impede novos episódios de temperaturas elevadas.