Rajadas acima de 80km/h derrubaram árvores e danificaram escola, igreja e casas na Baixada Santista; temperaturas ultrapassaram 35 ºC

A forte ventania que atingiu o litoral de São Paulo, desde a madrugada da quarta-feira (10), provocou quedas de árvores, danos estruturais e bloqueios viários em diversas cidades. O fenômeno afetou municípios da Baixada Santista devido à influência de ciclone extratropical que avança pelo Sul do país e que alterou as condições atmosféricas na região.
Ciclone provoca ventos fortes e calor de 35 ºC no litoral de SP; veja destruição pic.twitter.com/rLTEhCul23
— Portal Costa Norte (@costanortenews) December 10, 2025
Segundo a Defesa Civil Estadual, rajadas chegaram a 83,3km/h em Santos, 59km/h em Bertioga, 44km/h em São Sebastião e 40km/h em Ilhabela. O calor intenso também marcou o dia, com registros acima de 35 ºC em parte da região, o que agravou os impactos da mudança brusca no tempo e ampliou o alerta à população.
O climatologista Rodolfo Bonafim, da ONG Amigos da Água, explicou que o calor excepcional ocorreu porque o ciclone atraiu ar quente proveniente do interior do continente. Ele afirmou que a massa de ar, ao cruzar a Serra do Mar, perdeu umidade e elevou ainda mais as temperaturas, que passaram dos 35 ºC em Santos e 34 ºC no Guarujá.
Bonafim destacou que o fenômeno está ligado ao chamado "verão climático", iniciado em 1º de dezembro. Ainda segundo Bonafim, a tendência para os próximos dias é de manutenção do calor, com máximas próximas de 30 ºC a 32 ºC, embora inferiores às registradas nesta quarta.
O especialista observou que a atuação do La Niña pode reduzir a persistência de ondas de calor prolongadas até o fim de dezembro, mas reforçou que períodos quentes devem ser frequentes.
Na rodovia Mogi-Bertioga, o vento derrubou diversas árvores e barragens ao longo do trecho administrado pela Concessionária Novo Litoral. Apesar da quantidade de ocorrências, a empresa informou que não houve interdições totais e que as equipes de manutenção trabalharam para remover os bloqueios e evitar congestionamentos. O tráfego permaneceu normal ao longo do dia.
Em Santos, parte da fachada de uma igreja no bairro Macuco desabou devido à ventania. A queda de um muro do telhado bloqueou a calçada e gerou risco de novos desabamentos. A CET interditou o trecho e acionou a CPFL porque a estrutura comprometida poderia atingir um transformador. A Defesa Civil confirmou rajadas superiores a 70km/h ao longo da manhã.
A prefeitura de Santos também registrou queda de árvores e galhos em diversas vias. A Coordenadoria de Paisagismo atuou com quatro frentes de trabalho para remoção de exemplares de grande porte e liberação de ruas.
As ocorrências se concentraram em bairros como Estuário, Macuco, Embaré, Jabaquara, Marapé e Ponta da Praia. A Vila de Natal, instalada no Gonzaga, teve estruturas infláveis desativadas por segurança.
Em Guarujá, a Defesa Civil relatou múltiplas quedas de árvores, mas ainda sem consolidação do número final de ocorrências, já que as equipes ainda estavam mobilizadas em campo até o fim da tarde. A cidade registrou ventos de até 78km/h.
A prefeitura de São Vicente informou que equipes da Defesa Civil e da Secretaria de Serviços Públicos atenderam seis ocorrências de queda de árvores e outras situações de risco nesta quinta-feira, com registros em vias da Cidade Náutica, Catiapoã e avenida Alcides de Araújo, no Jardim Paraíso. Todas as áreas foram liberadas após intervenção, e o município mantém o monitoramento e orienta a população a acionar os serviços de emergência quando necessário.
Bertioga registrou queda de árvore no bairro Boraceia, segundo a Defesa Civil municipal. A velocidade máxima dos ventos chegou a 56km/h. As equipes seguem em monitoramento devido aos reflexos do ciclone extratropical, que permanece sobre o oceano, mas ainda influencia o litoral paulista.
Ainda em Bertioga, a escola estadual William Aureli, no bairro Rio da Praia, teve o telhado destruído pelos ventos. Já no bairro Albatroz, o empresário Marcos Correia relatou que teve o telhado da Concessionária Riviera Veículos parcialmente removido pela força dos ventos. Apesar do susto, não houve feridos em nenhum dos casos.
A Defesa Civil de Cubatão registrou diversas ocorrências provocadas pela forte ventania desta quarta-feira (10), que inclui quedas de árvores em bairros como Fabril, Vila Nova, Água Fria, Centro, Parque Fernando Jorge e Vila Couto, com atuação imediata das equipes de manutenção para retirada de vegetação, poda e liberação de vias, sem feridos.
Houve danos a estruturas públicas e privadas, como queda de platibanda na avenida Nove de Abril, estilhaçamento de vidros de um restaurante na rua Armando de Sales Oliveira e desabamento parcial do muro do Grêmio dos Servidores Municipais.
A ventania também provocou danos à rede elétrica, afetou cabos na região do hospital municipal, deixou trechos da área central sem energia e levou ao fechamento de lojas, além de interromper temporariamente o abastecimento na prefeitura.
O sistema de balsas entre Santos e Guarujá e entre São Sebastião e Ilhabela sofreu impactos do mar agitado e da ventania. A Coordenadoria de Travessias informou que as embarcações operaram de forma intermitente e, em alguns períodos, com serviços temporariamente suspensos. No início da noite, o tempo de espera aproximado era de 40 minutos.