Com o encerramento das plataformas no país, serviços da rede municipal acolhem moradores em processo de reabilitação de ludopatia
Redação
Publicado em 07/10/2026, às 16h19

O encerramento definitivo das operações de apostas de quota fixa e cassinos virtuais, no Brasil, efetivado na terça-feira (6) por força da Medida Provisória nº 1.394, marca uma mudança no cotidiano do país.
A legislação proíbe expressamente a oferta, intermediação e publicidade desses jogos em todo o território nacional. Para quem enfrenta a dependência em jogos, condição conhecida como ludopatia, este momento de transição exige atenção redobrada à saúde mental.
Em São Vicente, a rede pública municipal disponibiliza suporte especializado e acolhimento gratuito para munícipes e famílias que lidam com as sequelas do descontrole com apostas.
A decisão federal pôs fim à circulação de plataformas e aplicativos populares no celular, que até então facilitavam o acesso contínuo aos jogos. Para além do encerramento dos sites, a medida estabelece que apostadores com saldo pendente recebam a devolução dos valores via rede bancária entre os dias 9 e 14 de outubro.
No entanto, especialistas alertam que a interrupção abrupta do acesso aos jogos não elimina automaticamente os sintomas do vício e o impacto psicológico acumulado ao longo do tempo.
O desejo incontrolável de apostar e a ansiedade provocada pelas perdas financeiras anteriores exigem acompanhamento profissional estruturado.
A transição para uma rotina sem os jogos virtuais demanda sensibilidade da rede de apoio do paciente. A perda de controle financeiro, o isolamento social e as mudanças bruscas de humor costumam marcar a trajetória de quem desenvolveu a compulsão.
Danilo Leonel, enfermeiro e responsável técnico do Serviço Residencial Terapêutico (SRT II), orienta sobre os sinais de alerta que indicam a necessidade de buscar ajuda especializada:
A família deve ficar atenta, como perceber se a pessoa apresentava frequência no jogo, queda de rendimento no trabalho ou se começou a vender objetos de casa para conseguir manter o comportamento. Essas situações indicam que o jogo ocupava um espaço prejudicial na vida do indivíduo."
A porta de entrada para o tratamento em São Vicente permanece aberta e descentralizada para todos os moradores. A população pode procurar orientação em qualquer uma das 26 Unidades Básicas de Saúde (UBS) existentes no município ou seguir diretamente para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que integram a Rede de Atenção Psicossocial.
O acompanhamento assistencial reúne equipes multidisciplinares compostas por psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais. O plano terapêutico inclui consultas individuais, grupos de apoio, oficinas de fortalecimento emocional e estratégias personalizadas para a recuperação da autonomia.
A equipe técnica ressalta que o atendimento respeita a história e as fragilidades de cada cidadão, garantindo sigilo absoluto ao longo do processo de reabilitação.