Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública mostram redução em homicídios, roubos e furtos após integração entre Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar

Santos, no litoral de São Paulo, registrou queda em todos os indicadores criminaismonitorados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) em 2025. Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa, na terça-feira (10), no Centro de Controle Operacional (CCO) da prefeitura.
Participaram da apresentação o secretário municipal de Segurança, Flavio de Brito Júnior, o comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar do Interior (6º BPMI), tenente-coronel Fábio Nakaharada, e o delegado seccional de Santos, Rubens Barazal.
Entre os indicadores, a maior redução foi registrada nos casos de homicídio, que caíram 42,11%. Número passou de 19 ocorrências em 2024, para 11 em 2025. Nos últimos anos, a cidade também não registrou casos de latrocínio, roubo seguido de morte.
Segundo o secretário Flavio de Brito Júnior, a redução nos índices resulta da integração permanente entre as forças de segurança que atuam na cidade. “A cada 15 dias, nós nos reunimos para analisar as manchas de calor, indicadores de locais e horários em que há maior número de ocorrências, para identificar e traçar estratégias de ação preventiva”, afirmou.
Dados divulgados também mostram redução em diferentes tipos de crimes patrimoniais. Roubos de veículos passaram de 140 casos em 2024, para 127 em 2025, queda de 9,29%.
Já os furtos de veículos tiveram redução mais expressiva, de 19%, passando de 1.180 registros, para 954 ocorrências. Também houve diminuição nos roubos de carga, que caíram de 30 casos em 2024, para 22 em 2025, redução de 27%.
Os roubos em geral, que envolvem violência ou grave ameaça, registraram 1.487 ocorrências em 2025, número 12,6% menor do que os 1.701 casos contabilizados no ano anterior.
Outros tipos de furto também apresentaram queda, ainda que mais discreta. Foram 5.593 registros em 2025, contra 5.657 em 2024, redução de 1,13%. Em relação aos casos de feminicídio, foram registrados dois casos em 2025, enquanto em 2024 houve três ocorrências.
Durante a coletiva, o comandante do 6º BPMI destacou o papel do sistema de monitoramento da cidade no apoio às operações policiais.
Atualmente, Santos conta com 3.199 câmeras de monitoramento distribuídas em diferentes pontos da cidade. Desse total, 99 estão integradas ao programa Muralha Paulista, que permite a identificação de placas de veículos e biometria facial.
Além do monitoramento, guardas municipais e policiais também realizam vídeo-patrulhamento, utilizado tanto para prevenção quanto para apoio a investigações.
As instituições policiais também atuam de forma integrada em forças-tarefa, que contam com a participação das secretarias municipais de Finanças, das prefeituras regionais e de concessionárias de saneamento e energia elétrica.
Somente no mês de fevereiro, foram seis operações em ferros-velhos, que resultaram em três flagrantes de furto de energia elétrica.
Para o delegado seccional Rubens Barazal, a integração entre os órgãos tem sido fundamental para os resultados. “A integração tem contribuído para reduzir os números e com isso a responsabilidade aumenta também. Entendo que essa integração é fundamental, assim como é o investimento que o governo estadual tem feito na formação de escrivães, delegados, aquisição de viaturas e softwares de inteligência”, afirmou.
Durante a coletiva também foi anunciado um projeto-piloto da Secretaria de Segurança Pública do Estado que será implantado em Santos, para facilitar o registro de ocorrências de violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas.
Pelo novo modelo, nos casos em que não houver flagrante, estupro ou presença do agressor, o próprio policial militar poderá registrar o boletim de ocorrência, preencher o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar) e encaminhar o documento eletronicamente para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
O registro junto à Polícia Civil permitirá que o Poder Judiciário seja acionado para adoção das medidas necessárias de proteção à vítima.
De acordo com o comandante do 6º BPMI, “a medida evita o deslocamento da mulher à delegacia, especialmente em situações em que ela não tem como se dirigir a um posto de atendimento porque não tem, por exemplo, com quem deixar os filhos. Dessa forma, o caso será levado à Polícia Civil, eletrônica e instantaneamente, para que o estado consiga ‘enxergar’ e proteger essa mulher”.
Registro junto à Polícia Civil também aciona a rede de apoio à mulher mantida pela prefeitura, formada pela Casa da Mulher, Programa Guardiã Maria da Penha, Casa da Mulher e Gestante, além de abrigos e outros serviços de proteção.
Segundo o secretário Flavio de Brito Júnior, a escolha de Santos para receber o projeto-piloto está relacionada ao trabalho integrado desenvolvido no município. “A cidade foi escolhida porque desenvolve um trabalho sistemático de segurança pública que envolve a Guarda Civil Municipal e as polícias Militar e Civil. As três corporações estão alinhadas e em contato periódico para traçar estratégias de atuação em favor da segurança da população”.
A SSP também irá instituir um comitê responsável pela elaboração do Protocolo de Atuação Integrada, que deverá apresentar relatório sobre as atividades desenvolvidas. Após 30 dias, será avaliada a possibilidade de ampliação gradual do projeto para outras regiões do estado.