ECA DIGITAL

Plataformas digitais no Brasil terão verificação de idade obrigatória em uma semana

Lei entra em vigor no dia 17 e estabelece regras rigorosas para impedir acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados na internet


Redação
Publicado em 10/03/2026, às 16h03

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Empresas digitais têm menos de uma semana para se adaptar ao novo ECA Digital
Lei vale para qualquer plataforma com usuários brasileiros, independentemente do país onde a empresa esteja sediada - Imagem gerada por IA/Freepik


Empresas que operam plataformas digitais no Brasil correm contra o tempo para se adaptar a mudança estrutural na legislação. No próximo dia 17 de março, entra em vigor a Lei nº 15.211/2025, o chamado ECA Digital, que estabelece regras rigorosas para impedir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados na internet.

Principal mudança é o fim da aceitação da autodeclaração de idade, aquele modelo no qual o usuário apenas informa sua data de nascimento, ou marca uma caixa de seleção. Agora, redes sociais, aplicativos e serviços on-line deverão adotar mecanismos efetivos e robustos de comprovação etária.

Impacto no mercado e penalidades

Implementação dessas barreiras deve alterar a dinâmica de crescimento das empresas de tecnologia. Testes preliminares indicam que a exigência de verificação pode reduzir novos cadastros em até 50%, se não for aplicada com boa estratégia de experiência do usuário.



Contudo, o custo da desobediência é alto. Sanções previstas para quem descumprir o ECA Digital incluem:

  • Multas proporcionais à receita da empresa;
  • Restrições operacionais severas;
  • Bloqueio dos serviços em território nacional em casos extremos.

Para Leandro Kitamura, CEO da ProtegeID, empresa especializada no setor, o curto prazo é o maior desafio:

Estamos a poucos dias da entrada em vigor da lei e muitas plataformas ainda não implementaram mecanismos reais de verificação de idade. Durante anos, a internet funcionou com base na autodeclaração, que é fácil de burlar. Agora, a legislação exige que as empresas adotem soluções mais robustas”, afirma o executivo.

Kitamura ressalta que a lei possui alcance global: qualquer plataforma com usuários brasileiros precisa se adequar, independentemente da sede física do país.



Proteção integral

O ECA Digital reforça o princípio de proteção integral já previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, mas focado especificamente no ambiente on-line. O endurecimento da lei ocorre após meses de debates nacionais sobre a "adultização" precoce em redes sociais e denúncias de exploração de vulnerabilidade de menores.

Foco agora é equilibrar o cumprimento da norma com a privacidade dos dados. Segundo Kitamura, o desafio das plataformas será "fazer o cumprimento de forma inteligente, equilibrando proteção, privacidade e experiência do usuário".

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