As árvores que completaram o ciclo de vida ganham nova função em espaços públicos do litoral paulista; iniciativa une criatividade e economia circular

Da orla da praia ao banco, as árvores que um dia sombrearam o jardim de Santos, no litoral paulista, ganham uma nova história. Parte dos troncos retirados, entre os canais 1 e 7, será reaproveitada e transformada em mobiliário sustentável pela Ecofábrica da Zona Noroeste.
As peças vão integrar o espaço instagramável do cemitério Areia Branca, unindo criatividade, reaproveitamento e consciência ambiental.
A proposta traduz o conceito de economia circular aplicado à arborização urbana: nada se perde, tudo se transforma. Em vez de descartar o material, a cidade dá novo uso à madeira e, ao ampliar sua vida útil, reduz o impacto ambiental.
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De acordo com a Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa), responsável pela ação, as árvores já estavam mortas e apresentavam risco de queda, especialmente em períodos de ventos fortes. “A operação é complexa, mas vai trazer mais harmonia, segurança e cuidado para o maior jardim de praia do mundo. São substituições que deixam a orla mais bonita e segura”, explica o coordenador André Marins.
O reaproveitamento de troncos segue tendência internacional. Em Santa Clara, nos Estados Unidos, árvores retiradas de parques viram bancos naturais, com redução da emissão de carbono. Na Austrália, programas municipais transformam troncos em esculturas e mobiliários, com apoio de artistas locais.
No Brasil, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conduz projeto semelhante, utilizando madeira de árvores nativas removidas no campus, para criar móveis e objetos, com rastreabilidade e aproveitamento total do material.
Além de reaproveitar o que seria resíduo vegetal, Santos garante a continuidade da arborização no trecho. A Secretaria das Prefeituras Regionais fará estudo técnico para reposição das espécies, preservando o equilíbrio paisagístico da orla da praia.