IPC-Cará completa um ano e aponta variação de valores do produto entre cinco regiões da cidade

Um dos produtos mais tradicionais de Santosganhou, há um ano, uma nova função: ajudar a acompanhar os preços praticados na cidade. O IPC-Cará, indicador criado pelo Departamento de Orçamento e Gestão (Deorg) da prefeitura de Santos, completa um ano de acompanhamento e revela diferenças no valor do quilo do pão de cará entre as regiões do município.
O levantamento começou em agosto de 2025 e acompanha mensalmente os preços encontrados em mercados e padarias. A pesquisa é realizada diariamente em 22 estabelecimentos, com apuração semanal da variação dos valores e consolidação dos dados em relatórios semanais e mensais.
O indicador considera cinco regiões de Santos: Centro, Morros, Orla, Zona Noroeste e Zona Intermediária. Ao longo dos 12 meses analisados, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, os dados mostraram diferenças nos preços praticados em cada área.
Em setembro de 2025, uma das pesquisas apontou preço médio de R$ 17 por quilo nos Morros, enquanto na Orla o valor médio chegava a R$ 25,58.
A diferença permaneceu no levantamento de agosto de 2026. O preço médio registrado foi de R$18,95 por quilo nos Morros e R$27,07 na Orla.
Considerando os menores e maiores valores encontrados, a distância também aumenta. Em agosto, o quilo mais barato registrado nos Morros custava R$16,90, enquanto na Orla o maior preço chegava a R$34,90.
Segundo o economista Plínio Rolim, responsável pela pesquisa no Deorg, fatores como poder de compra, perfil de consumo, custo dos aluguéis e estratégias comerciais dos estabelecimentos podem contribuir para as diferenças.
O economista também ressalta que o IPC-Cará não substitui um índice de inflação municipal. O indicador foi criado para acompanhar especificamente o comportamento dos preços de um produto tradicional da cidade.
Considerando a média geral de Santos, o preço do quilo do pão de cará passou de R$23,20 em setembro de 2025 para R$23,89 em agosto de 2026. A diferença foi de R$0,69, equivalente a uma alta de 2,97% no período.
Na comparação apresentada pela prefeitura, o pão francês teve aumento de aproximadamente 4,34%, enquanto o IPCA-15, indicador utilizado para acompanhar a inflação oficial, acumulou 4,24% no mesmo intervalo.
O comportamento do cará também não foi de alta contínua. Ao longo dos 12 meses, foram registrados cinco meses de queda, cinco de aumento e dois períodos de estabilidade.
Além do IPC-Cará, o Deorg acompanha os preços da cesta básica de alimentos e da cesta de higiene pessoal. O trabalho é realizado em parceria com a Universidade Católica de Santos (Unisantos), com participação de estudantes do curso de Ciências Econômicas.
A comparação dos levantamentos mostra que o preço do pão de cará não necessariamente acompanha o mesmo movimento dos produtos considerados essenciais.
Para Vanessa Mendes Miranda, chefe da Seção de Estudos Econômicos de Análise Orçamentária do Deorg, as pesquisas ajudam a mostrar a realidade econômica das famílias e podem auxiliar no planejamento dos consumidores.
A criação do IPC-Cará teve como inspiração o Big Mac Index, criado pela revista britânica The Economist. O indicador internacional utiliza o preço do sanduíche para explicar conceitos relacionados à paridade do poder de compra.
Em Santos, a prefeitura adotou um produto tradicional da cidade para observar como os preços se comportam nas diferentes regiões e ao longo do tempo.
O pão de cará é considerado patrimônio imaterial de Santos desde 2022 e também ganhou um evento próprio na cidade. O Cará Festival chega à quinta edição neste fim de semana, dentro da programação da Primavera Criativa.
A festa será realizada na Casa da Frontaria Azulejada, no Centro Histórico, neste sábado (26) e domingo (27), das 11h às 20h, com atividades culturais, gastronomia e demonstração de panificação.