Ação comunitária no asfalto resgata o espírito de torcida pela seleção brasileira e vira atração para moradores de todas as idades

O clima de Copa do Mundo já muda a paisagem urbana no litoral paulista. Em Praia Grande, o asfalto ganhou cores, bandeiras e formas por meio de pinturas, que começaram como uma simples brincadeira familiar na copa passada e agora virou um ponto de encontro e união para a comunidade.
A influenciadora Lethicia Videira começou a pintar as ruas na Copa do Mundo de 2022. "Comecei a gravar para resgatar uma memória de infância. Como ocorreu na época da pandemia, só eu pintava. Acho que até por isso repercutiu bastante", recorda. A meta para 2026 é manter a tradição viva.
A aposentada Neide Videira, avó da jovem, lembra que o saudosismo tomou conta de quem passava pelo local desde as primeiras pinceladas. "Diziam que os velhos tempos voltaram", conta. Desta vez, a dupla conta com muito mais ajuda e pincéis em ação.
A ampliação do projeto contou com a parceria de uma loja de tintas local, que doou materiais, e revelou habilidades inesperadas. O empresário Henrique Gongora, companheiro de Lethicia, assumiu os desenhos das obras sem nunca ter estudado arte.
Fui pego de surpresa e não sabia que tomaria essa dimensão. Fiz um personagem após o outro e descobri meu talento aqui na rua", detalha Henrique, que comemora a evolução a cada novo traço finalizado.
O mutirão já utilizou mais de 30 latas de tinta e reuniu voluntários de diferentes perfis. Para o estudante Guilherme Souza, morador da região, a ação devolve o espírito de torcida que andava adormecido.
O poder das redes sociais também atraiu reforços de fora. A atendente Thayná dos Santos mora no interior, conheceu a iniciativa pelo Instagram e aproveitou a visita à cidade para colocar a mão na massa. Nem mesmo o mau tempo desanimou a equipe.
A chuva tirou a parte que fizemos, mas estamos aqui para ajudar de novo", garante a voluntária.
O fascínio pelas cores reflete diretamente nos mais novos, que trocam as telas dos celulares pelos pincéis. A estudante Ana Beatriz, de 16 anos, e a Maria Eduarda, de apenas 8, garantiram suas presenças para ajudar na pintura colaborativa.
*Com informações do jornalista Alex Castro, para reportagem da TV Cultura Litoral.