GANGORRA HABITACIONAL

Morar na Praia: Compra de imóveis sobe e volume de aluguéis desce no litoral de SP

Entre as oito cidades com praia da Baixada Santista, 48 em cada 100 imóveis comprados em julho custaram entre R$ 201 mil e R$ 300 mil, aponta levantamento do Creci-SP. No mesmo mês, volume de compras de imóveis aumentou 24%, enquanto o de aluguéis caiu 10,8


Da redação
Publicado em 22/08/2022, às 18h18 - Atualizado em 23/08/2022, às 11h10

FacebookTwitterWhatsApp

Vista aérea de Santos, litoral de SP - Tadeu Nascimento
Vista aérea de Santos, litoral de SP - Tadeu Nascimento


Enquanto as locações de imóveis diminuíram, as compras subiram nas cidades do litoral de São Paulo. É isso que mostra um levantamento do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo) com 88 imobiliárias de todas as cidades da Baixada Santista, exceto Cubatão, que não tem praias. 

As praianas Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, onde foi feito o levantamento, reúnem o grosso da população do litoral paulista, com quase 1,8 milhões de habitantes, segundo as últimas estimativas do IBGE (2021).

Compõem o quarteto das mais populosas da região as cidades de Santos e São Vicente, Praia Grande e Guarujá, nesta ordem. Quase oito em cada dez moradores da Baixada Santista moram em uma destas quatro.



O levantamento do Creci-SP mostrou um efeito gangorra entre as locações e compras de imóveis nas oito cidades, ao longo do primeiro semestre de 2022.

Exceto por abril, quando tanto o volume de compras quanto o de aluguéis caíram, nos meses em que o volume de locações de imóveis subiu, as compras diminuíram e, em contrapartida, quando o número de locações caiu, o volume de compras de imóveis subiu.

Foi este o cenário de junho e julho deste ano nas cidades com praia da Baixada Santista. Em junho, as vendas de imóveis subiram 22%, em julho, o volume aumentou 24%. No mesmo período, a quantidade de imóveis alugados caiu 5,7% e 10,8%.



Viana Neto, presidente do Creci-SP, avalia que o aumento das compras de imóveis nos dois meses recupera as quedas do início do ano. De março a maio, as compras de imóveis caíram mais de 50%, segundo o mesmo levantamento.

“Eu diria que o aumento é significativo. Mas ele apenas repõe as perdas do começo do ano. Então, não seria um aumento excepcional. Está dentro daquilo que era esperado”, disse Viana Neto em entrevista ao Portal Costa Norte nesta segunda (22).

Na leitura dele, a subida nas vendas de imóveis está atrelada ao aumento de empregos formais. “Os empregos formais vem aumentando. As pessoas, com carteira registrada, ficam com maior possibilidade de aprovação no crédito e aí a facilidade de acesso ao financiamento [aumenta as compras], muito embora os juros dos financiamentos estejam muito altos”.



Já a diminuição no volume dos aluguéis decorre de baixa rotatividade dos locatários nos imóveis já alugados e por Influência climática, acredita Viana Neto.

O pessoal prefere renovar o contrato do que mudar. No litoral, há ainda um agravante. junho e julho, são meses com véspera de tempo frio. Quem quer mudar para o litoral protela. A partir de setembro, eu acredito que nós vamos ter um aquecimento nos aluguéis, porque aí você já está na primavera, verão, isso influencia. Deve haver um aumento de locação no litoral. Imaginamos que vamos fechar o ano com um saldo tanto de vendas quanto de aluguel no positivo".

Segundo a pesquisa, em julho deste ano, 48 em cada 100 compradores pagaram entre R$ 201 mil a R$ 300 mil na moradia nova na praia. A faixa de preço é a mais recorrente entre as aquisições. Quatro em cada 100 compradores pagaram mais de R$ 1 milhão e ninguém pagou menos de R$ 100 mil.



O levantamento também mostra uma preferência esmagadora por apartamentos em vez de casas. De cada 100 imóveis adquiridos em julho, 89 eram apartamentos e somente 11 eram casas.

Já entre os locatários a diferença entre a preferência por casas e apartamentos é mais equilibrada. Também em julho, entre os novos inquilinos da Baixada Santista, 68 em cada 100 optaram por alugar um apartamento e os outros 32, preferiram casa. 

Leia também: Santos tem aluguel mais caro da Baixada Santista



Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!