AMOR NO AR

História de amor entre periquitos salva centenas de aves, em Ilhabela

Casal de periquitos foi o responsável pela criação da Área de Soltura Monitorada, que completa dez anos em 2024; mais de mil aves foram reabilitadas

Estéfani Braz
Publicado em 26/06/2024, às 22h11 - Atualizado às 22h23

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Área de Soltura Monitorada foi criada após história de amor entre periquitos - Divulgação/PMI
Área de Soltura Monitorada foi criada após história de amor entre periquitos - Divulgação/PMI

Já imaginou acompanhar a história de amor de um casal de periquitos, e essa história de amor se transformar na salvação de centenas de outros pássaros? Um casal morador de Ilhabela, no litoral norte, teve esse privilégio que, ainda, gerou a criação da Área de Soltura Monitorada (ASM) Cambaquara. 

De acordo com a prefeitura, tudo começou quando um periquito-rico fêmea, também conhecido por periquito-verde, apareceu machucado no portão da residência de Silvana Davino e Pablo Federico Melero, e eles resolveram cuidar da ave. Na época, um funcionário do casal os ajudou a tratar, alimentar e segurar corretamente.

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Os dois, que nunca tinham participado de um projeto de preservação ambiental, começaram a se interessar pelo assunto, se afeiçoaram à ave a qual passou a ser chamada de Pepa. Mas, eis que um outro periquito começou a visitá-la e ficou apaixonado por ela. Ele, porém, tinha vida livre e Pepa ainda precisava de cuidados. Para que os dois pudessem ficar juntos, Silvana e Pablo resolveram criar um viveiro que servisse aos dois; ele poderia sair e, ela, por ter a asa quebrada, estaria protegida de predadores como gaviões, cães, gatos e outros animais. 

O viveiro deu tão certo que virou um ninho de amor e serviu de abrigo para mais de 60 filhotes, em mais de 14 ninhadas. Todos gerados com o mesmo parceiro, batizado de Kiwi. O local precisou ser ampliado para acomodar toda a família. Com o avanço dos trabalhos, os responsáveis pelo projeto legalizaram o local na Secretaria de Meio Ambiente,  do estado de São Paulo, como uma Área de Soltura Monitorada (ASM), reconhecimento conquistado em 2014.

Neste ano, a ASM Cambaquara completa dez anos, com mais de 1,1 mil aves reabilitadas. Tucanos, papagaios, maritacas e periquitos são algumas das espécies salvas pelo projeto.

Procedimentos realizados pela Associação Cambaquara para a preservação de aves:

  • Aves em reabilitação: examinar as aves recebidas, marcá-las com anilhas, com o objetivo de facilitar a identificação futura. Manter os cuidados com alimentação, saúde e higiene e a depender do histórico de cada um, esse período que pode durar de 2 meses a 2 anos;
  • Aves em fase de pré-soltura: treinamento das aves para atender quatro requisitos básicos para sobreviverem em vida livre: voar bem, identificar alimentos na natureza, fugir de predadores e ter medo do ser humano. É em um recinto especial que o grupo é treinado e avaliado até a soltura;
  • Soltura: “Soft-realese”, que quer dizer “soltura branda”. É realizado por meio de um janelão dentro de um recinto aberto. As aves têm a liberdade de sair e voltar quando quiserem. A alimentação é contínua, tanto fora como dentro do recinto;
  • Monitoramento das aves soltas: após a soltura, as aves são acompanhadas durante 7 dias seguidos em dois horários, quando são colocados os alimentos nos comedouros externos;
  • Palestras sobre educação ambiental nas escolas: levar aos alunos o conhecimento da fauna silvestre de Ilhabela, com atividades lúdicas para incentivá-los na preservação da fauna local;
  • Oficinas de educação ambiental com crianças e jovens: trabalhar com a criança e o jovem de uma forma prática para oferecer uma vivência fora da sala de aula estimulando uma nova maneira de pensar e criar.

ASM Cambaquara

Homologada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente desde 2014, a ASM Cambaquara é uma entidade que recebe recursos financeiros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, para a preservação da fauna silvestre nativa, com ênfase na soltura, reabilitação e reintrodução de espécimes apreendidas pelas autoridades oriundas de cativeiro irregular, resgatadas de acidentes e/ou por meio de entregas voluntárias de populares.

As principais espécies reabilitadas são da família dos psitacídeos (papagaios, periquitos e maritacas) e ranfastídeos (tucanos e araçaris), vítimas principalmente de colisões em vidros, mordidas de cães e gatos, cativeiro irregular, maus-tratos e até tiros de chumbinho. A ênfase é na conservação do papagaio-moleiro (Amazona farinosa), ave símbolo do município.

Segundo a prefeitura, a área de soltura realiza inúmeros trabalhos de educação ambiental e elabora relatórios anuais ao Ibama referentes aos animais soltos na localidade, com informações das espécies, marcação, sexo, e mantém o órgão informado de alteração documental ou ambiental da área.

Outras espécies

Ilhabela é de uma riqueza natural imensa. A cidade é reconhecida como um importante local de avistamento de aves, com exemplares de saíra-sete-cores, tiê-sangue e mais de 300 espécies catalogadas. Segundo a prefeitura, as aves mais comuns encontradas são os periquitos, maritacas e papagaios.

A Área de Soltura Monitorada (ASM) Cambaquara foca na promoção de cuidados especiais, para que as aves debilitadas sejam reintroduzidas em seu habitat. De acordo com a prefeitura, a principal estrela da ASM Cambaquara é o papagaio-moleiro, ave símbolo do município de Ilhabela, e que se encontra na lista de espécies em risco de extinção no estado de São Paulo.  

*Com informações do site oficial da prefeitura de Ilhabela.

Estéfani Braz

Estéfani Braz

Formada em Comunicação Social na Faculdades Integradas Teresa D'Ávila

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