Casal de periquitos foi o responsável pela criação da Área de Soltura Monitorada, que completa dez anos em 2024; mais de mil aves foram reabilitadas

Já imaginou acompanhar a história de amor de um casal de periquitos, e essa história de amor se transformar na salvação de centenas de outros pássaros? Um casal morador de Ilhabela, no litoral norte, teve esse privilégio que, ainda, gerou a criação da Área de Soltura Monitorada (ASM) Cambaquara.
De acordo com a prefeitura, tudo começou quando um periquito-rico fêmea, também conhecido por periquito-verde, apareceu machucado no portão da residência de Silvana Davino e Pablo Federico Melero, e eles resolveram cuidar da ave. Na época, um funcionário do casal os ajudou a tratar, alimentar e segurar corretamente.
Siga o Costa Norte no WhatsApp e receba as principais notícias do litoral de São Paulo
Os dois, que nunca tinham participado de um projeto de preservação ambiental, começaram a se interessar pelo assunto, se afeiçoaram à ave a qual passou a ser chamada de Pepa. Mas, eis que um outro periquito começou a visitá-la e ficou apaixonado por ela. Ele, porém, tinha vida livre e Pepa ainda precisava de cuidados. Para que os dois pudessem ficar juntos, Silvana e Pablo resolveram criar um viveiro que servisse aos dois; ele poderia sair e, ela, por ter a asa quebrada, estaria protegida de predadores como gaviões, cães, gatos e outros animais.
O viveiro deu tão certo que virou um ninho de amor e serviu de abrigo para mais de 60 filhotes, em mais de 14 ninhadas. Todos gerados com o mesmo parceiro, batizado de Kiwi. O local precisou ser ampliado para acomodar toda a família. Com o avanço dos trabalhos, os responsáveis pelo projeto legalizaram o local na Secretaria de Meio Ambiente, do estado de São Paulo, como uma Área de Soltura Monitorada (ASM), reconhecimento conquistado em 2014.
Neste ano, a ASM Cambaquara completa dez anos, com mais de 1,1 mil aves reabilitadas. Tucanos, papagaios, maritacas e periquitos são algumas das espécies salvas pelo projeto.
Homologada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente desde 2014, a ASM Cambaquara é uma entidade que recebe recursos financeiros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, para a preservação da fauna silvestre nativa, com ênfase na soltura, reabilitação e reintrodução de espécimes apreendidas pelas autoridades oriundas de cativeiro irregular, resgatadas de acidentes e/ou por meio de entregas voluntárias de populares.
As principais espécies reabilitadas são da família dos psitacídeos (papagaios, periquitos e maritacas) e ranfastídeos (tucanos e araçaris), vítimas principalmente de colisões em vidros, mordidas de cães e gatos, cativeiro irregular, maus-tratos e até tiros de chumbinho. A ênfase é na conservação do papagaio-moleiro (Amazona farinosa), ave símbolo do município.
Segundo a prefeitura, a área de soltura realiza inúmeros trabalhos de educação ambiental e elabora relatórios anuais ao Ibama referentes aos animais soltos na localidade, com informações das espécies, marcação, sexo, e mantém o órgão informado de alteração documental ou ambiental da área.
Ilhabela é de uma riqueza natural imensa. A cidade é reconhecida como um importante local de avistamento de aves, com exemplares de saíra-sete-cores, tiê-sangue e mais de 300 espécies catalogadas. Segundo a prefeitura, as aves mais comuns encontradas são os periquitos, maritacas e papagaios.
A Área de Soltura Monitorada (ASM) Cambaquara foca na promoção de cuidados especiais, para que as aves debilitadas sejam reintroduzidas em seu habitat. De acordo com a prefeitura, a principal estrela da ASM Cambaquara é o papagaio-moleiro, ave símbolo do município de Ilhabela, e que se encontra na lista de espécies em risco de extinção no estado de São Paulo.
*Com informações do site oficial da prefeitura de Ilhabela.