DENÚNCIA

Empresa terceirizada perde contrato por atraso de salários em Guarujá

CCM Life é acusada, ainda, de problemas operacionais nas ambulâncias do pronto-socorro de Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá

Redação
Publicado em 13/06/2024, às 14h48 - Atualizado às 15h47

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Empresa acumula  irregularidades operacionais - Reprodução/redes sociais
Empresa acumula irregularidades operacionais - Reprodução/redes sociais

A empresa de ambulâncias CCM Life, responsável pelo transporte de pacientes do pronto-socorro de Vicente de Carvalho (PSVC), em Guarujá, litoral de São Paulo, teve o contrato rescindido pelo Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase). A decisão foi tomada devido a denúncias de atrasos salariais e irregularidades operacionais, que incluem veículos com trancas improvisadas.

A Iase é uma organização social (OS) contratada pela prefeitura, para administração do hospital e contratação de outras terceirizadas como serviço de limpeza e a própria remoção de pacientes. O instituto, por sua vez, contratou a empresa CCM Life para realizar o transporte de pacientes.

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Colaboradores da CCM Life, que não quiseram se identificar, relataram que não recebem salários há dois meses. Uma das denúncias enviada à reportagem diz que a empresa, ao ser dispensada pela Iase, recolheu as ambulâncias, documentos e deixou os empregados sem pagamento.

Os funcionários foram informados de que a rescisão do contrato foi motivada pela divulgação de um vídeo o qual mostra  uma ambulância com tranca improvisada. No entanto, acreditam que a empresa já enfrentava problemas financeiros, que levariam ao rompimento do contrato independentemente do vídeo.

Segundo os relatos, a empresa já tinha um histórico de atrasos nos pagamentos, mas a situação piorou nos últimos meses. “O pagamento, que antes era feito no dia 25 de cada mês, passou para o dia 30, depois para o dia 5 [do mês seguinte], e voltou para o dia 30. No último mês, o pagamento deveria ter sido efetuado no dia 29, véspera do feriado de Corpus Christi, o que não ocorreu”, relatou um dos funcionários.

Ainda de acordo com a denúncia, os condutores das ambulâncias recebiam R$ 100 por plantão de 12 horas, sem registro formal ou direitos trabalhistas. “Muitos dependiam desses rendimentos para pagar contas e agora estão com dificuldades”, afirmou um dos colaboradores.

O que dizem as empresas

A reportagem entrou em contato com a CCM Life e, por telefone, o diretor Cristiano Macioli informou que o atraso no pagamento dos colaboradores ocorre devido a um processo trabalhista, que resultou na retenção do faturamento. “A Iase bloqueou os valores alegando que receberam uma notificação de que nós, da CCM Life, estávamos enfrentando um processo trabalhista e, por segurança, bloquearam o dinheiro que seria pago os funcionários”, disse.

Em relação ao caso das ambulâncias, Macioli destacou que a CCM Life manteve ambulâncias novas durante a maior parte do contrato, mas, devido à falta de reajustes no faturamento, teve que utilizar veículos mais antigos nos últimos meses. O diretor informou que espera resolver as pendências trabalhistas para regularizar os pagamentos dos funcionários.

Por sua vez, a Iase afirmou que rescindiu o contrato com a CCM Life em 4 de junho de 2024, e que uma nova empresa foi contratada emergencialmente para prestar os serviços de transporte de pacientes. A rescisão ocorreu devido às irregularidades trabalhistas e à incapacidade de a CCM Life cumprir com suas obrigações financeiras.

A organização social informou ainda que está em tratativas com a CCM Life, para assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas dos funcionários, e que o valor do faturamento da empresa foi retido para garantir o pagamento desses débitos futuros.

O que diz a prefeitura

Procurada, a prefeitura de Guarujá, afirmou que até o momento não foram identificadas denúncias na Ouvidoria Geral do Município, nem transmitida pela ouvidoria da contratada, mas o caso será averiguado. Veja a nota na íntegra:

“A prefeitura de Guarujá informa que, diante dos questionamentos efetuados, o Instituto em referência é uma Organização Social de Saúde e possui contrato de gestão vigente. A fiscalização do contrato é exercida pela Administração Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Quanto à possibilidade de terceirização dos serviços, a Sesau informa que há previsão para tanto em contrato. Não foram identificadas denúncias sobre este assunto na Ouvidoria Geral do Município nem transmitida pela ouvidoria da contratada. O caso será averiguado”.

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