Populares afirmaram que a bonitona entrou na escola; bióloga explica o motivo do aparecimento constantes de animais silvestres em áreas urbanas

Uma caninana (Spilotes pullatus) foi flagrada na tarde desta quarta-feira (9) passeando em frente à escola estadual Rui Barbosa, em Cubatão (SP). Segundo moradores, a serpente chegou a entrar na escola.
O caso aconteceu no bairro Jardim Caraguatá e assustou quem mora próximo ao local, a moradora Fabynas Saturnino afirmou que a caninana entrou na escola, “teve gente que viu ela entrando pelo muro, tá vindo da mata”, escreveu. O animal não feriu ninguém e fugiu minutos depois.
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Alguns moradores compararam a serpente com uma jararacuçu do papo amarelo (Bothrops jararacussu), porém, a reportagem conversou com a bióloga e herpetóloga Samira Emanuela, que atua na criação de serpentes do Instituto Butantan e afirmou que a serpente na imagem é uma caninana.
Em contato com o humano, a caninana quase sempre tenta fugir. No entanto, quando se sente ameaçada entra em modo de defesa, um comportamento que consiste em inflar o pescoço e vibrar a cauda para intimidar o predador.
A bióloga afirma que a caninana não tem peçonha, nem há dentição pra inocular veneno. "É totalmente inofensiva. Só é intimidadora, porque tem muito medo e precisa se defender de alguma forma”, afirmou a biologa.
Segundo a especialista, já a jararacuçu obrigatoriamente tem papo amarelo. Principalmente as grandes fêmeas. A diferença é que a caninana é comprida, esguia com rabo bem longo, por ser arborícola. A jararacuçu é mais robusta.

Que temos centenas de serpentes em nosso litoral, isso é um grande fato, de um lado o litoral é cercado pela Mata Atlântica onde é moradia de centenas de espécies do outro lado é o oceano atlântico onde tem a ilha das cobras, onde é considerado biologicamente um dos lugares mais perigoso do mundo.
Entretanto, o relato das cobras vistas próximo as residências cresceram nos últimos dias, os animais silvestres estão cada vez mais entrando nas áreas urbanas pelo simples fato: os humanos estão cada vez mais, invadido as moradias delas destruindo as áreas de mata.
Segundo a bióloga, há três fatos sobre a aproximação das cobras nas áreas urbanas, a primeira é a citada acima. “A explicação por aparecer nas cidades é o avanço da ocupação humana sobre as matas. Com ocupação humana, o hábitat delas diminui, fora que tem entulhos, e a presença de ratos, que elas amam”, disse a bióloga.
O segundo motivo é devido o verão, as aparições de serpentes na região urbana do litoral paulista tiveram um aumento após as fortes mudanças de tempo na região. A chuvas intensas no início do ano e o recorde de calor podem ter interferido na fauna caiçara e os animais silvestres puderam ser vistos com frequência.
Já o terceiro fato, Samira enfatiza que é nesta época em que as serpentes costumam procriar e se alimentar com mais frequência do que o habitual, de acordo com a especialista, nessa época há muitos nascimentos, e busca por alimentação.
“As serpentes que pariram, estão em busca de repor suas reservas de energia, também é época de abundância de alimentos, tanto pra machos, fêmeas e filhotes. Os machos também precisam de reserva de energia, para buscar fêmeas, aumentar a produção de gametas, etc. As fêmeas também precisam de bastante gordura corpórea, pra gastar com o preparo dos ovários, ovulação, e depois gestação”, esclareceu.
É importante saber que, ao avistar uma serpente acione as autoridades imediatamente e não mate, pois elas não estão invadindo nossos espaços e sim, nós, os delas. A primeira recomendação é ligar para o Corpo de Bombeiros ou para a Polícia Militar Ambiental. As duas entidades possuem agentes preparados para lidar com a situação.
PM Ambiental pelo telefone (12) 3842-0123 no Litoral Norte; para quem está na Baixada Santista ou Vale do Ribeira o contato é por meio do (13) 3348-4774 e (13) 3853-5750. Já o contato do Corpo de Bombeiros é o 193.
A PM Ambiental alerta que, na época do calor, esses animais ficam mais ativos e o manuseio por pessoas despreparadas podem estressar os animais, que por sua vez podem partir para o ataque para se defender e ressalta que somente as autoridades competentes pode realizar o resgate com segurança, tanto para o animal quanto para as pessoas envolvidas na situação.
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