Relatório técnico entregue à Cetesb aponta riscos de desmatamento em áreas de manguezal, impactos arqueológicos e transtornos a 40 mil moradores
Redação
Publicado em 17/10/2026, às 11h34

A prefeitura de Cubatão, no litoral paulista, protocolou na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) um relatório técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal (Semam-SCBem) e do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema) em que se posiciona contrariamente à implantação do complexo logístico da Ilha do Tatu, localizado próximo ao viaduto Mário Covas, na Ilha Caraguatá.
A iniciativa atende ao prazo de 45 dias para manifestação aberto pela Cetesb após a empresa Condilog Operações SPE Ltda. solicitar o pedido de licença ambiental para a obra. O relatório técnico e científico aponta riscos ambientais, urbanos e à saúde pública, além de impactos ao patrimônio histórico e prejuízos à mobilidade pelo aumento no tráfego de caminhões. O documento completo está disponível para consulta no site da prefeitura de Cubatão.
O secretário de Meio Ambiente, Cleiton Jordão dos Santos, reforça o posicionamento da prefeutura:
Sempre fomos contrários e desde o início não autorizamos emitir a certidão de Uso e Ocupação de Solo. E a participação do conselho também foi fundamental, como um órgão ligado do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Os membros foram unânimes a não concordarem com a instalação, levando em consideração aspectos bem consistentes. A entrega desse relatório à Cetesb é uma parte desse processo que reforça nosso posicionamento”.
A principal objeção do município é dimensão dos impactos ambientais. O projeto prevê a ocupação de cerca de 510 mil m² (51,2 hectares) para abrigar pátio regulador de caminhões, armazéns e áreas de apoio. Para isso, seria necessária a retirada de ao menos 45 hectares de vegetação nativa, sendo 31,38 hectares de manguezais e áreas de restinga, além de vegetação paludosa.
A Ilha do Tatu integra o Sistema Estuarino de Santos e abriga ecossistemas cruciais para a biodiversidade regional, servindo como berçário natural para diversas espécies e habitat para aves como o guará-vermelho, símbolo da recuperação ambiental de Cubatão. O parecer reforça que a preservação dos manguezais é essencial para conter inundações e proteger a zona costeira contra eventos climáticos extremos.
A análise também considera a proteção do patrimônio histórico e arqueológico. Registros indicam a possível presença de sambaquis na região (estruturas formadas por populações pré-coloniais) alerta que também motivou uma denúncia formal do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão (Condepac) contra o projeto.
Na esfera social, a administração municipal destaca que o empreendimento pode afetar diretamente cerca de 40 mil moradores de bairros vizinhos, como Jardim Casqueiro, Parque São Luís, Jardim Nova República e Ilha Caraguatá. A intensificação do tráfego pesado na área residencial pode aumentar a emissão de poluentes, ruídos e riscos de congestionamento.
Como alternativa ao projeto, o município voltou a sugerir a destinação da área conhecida como Sítio dos Areais, localizada no Polo Industrial de Cubatão e pertencente à União, para o recebimento das instalações logísticas. A medida visa conciliar a expansão econômica com as diretrizes do Plano Diretor e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.