Em oficinas semanais e saídas externas, alunos aprendem, mais do que fotografar, mostrar o mundo retratado pelo próprio olhar

Mostrar o mundo pelo próprio olhar e, assim, promover a inclusão. A partir dessa proposta, os alunos da Apae Bertioga têm desenvolvido, há cerca de um mês, a arte da fotografia com as aulas do projeto O que meus olhos veem, teu coração não sente.
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A oficina, desenvolvida semanalmente pela fotógrafa Vanessa Oliveira, busca a inclusão por um outro ângulo, como ela explica: “É bonito ver a frente da foto, mas qual o olhar que eles têm sobre o que eles tiram? Que direito eu tenho de dar para uma pessoa fazer a projeção sobre a visão dela?”. ela ressalta o poder da imagem e da expressão proporcionado pela fotografia.

Além desse viés, outro aspecto destacado pela oficina, segundo Oliveira, é o estímulo da motricidade, já que a atividade também trabalha a ação motora, para que eles possam segurar a máquina com firmeza. O coleguismo também é reforçado pela atividade, para que as duplas formadas durante as saídas fotográficas respeitem o ritmo individual. “As mãos, às vezes, não obedecem, a gente tem que ajudar a segurar; essa semana, eu fiz um exercício com eles e disse: ‘olha, para segurar a máquina, finge que está segurando uma caneca’”, detalhou a fotógrafa.
Os alunos da Apae Bertioga começaram com as saídas fotográficas há pouco tempo, mas já foi o suficiente para serem convidados a registrar, ainda neste ano, a terceira edição do Festival Paralímpico Santista, que, no ano passado, contou com a participação de 300 crianças e jovens com idades entre 3 e 25 anos, com e sem deficiência. A iniciativa visa promover e fomentar iniciativas relacionadas aos esportes adaptados.
O convite, adiantou Vanessa Oliveira, partiu de um dos organizadores do evento em Santos, a equipe Fast Wheels. O festival foi realizado, em 2023, em mais de 100 núcleos pelo país, em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e prefeituras.