HISTÓRIA E CULTURA

Passeio guiado ao Forte São João, em Bertioga, garante muitas descobertas

Construído a partir de óleo de baleia e conchas, o Forte São João, é uma casa de memória, que se mantém preservada, acessível e aberta à visitação


Lucas Santos
Publicado em 23/07/2024, às 15h09

FacebookTwitterWhatsApp

Plataforma superior do Forte São João conta com acessibilidade - Costa Norte
Plataforma superior do Forte São João conta com acessibilidade - Costa Norte


Considerada a fortaleza mais antiga do Brasil, o Forte São João, em Bertioga, no litoral paulista, convida para uma viagem no tempo. A equipe do portal Costa Norte foi conferir o passeio e, guiada pela jornalista e chefe do patrimônio histórico da prefeitura de Bertioga, Juliana Veiga, descobriu muitas curiosidades sobre o lugar. 

Construída nos anos de 1500, com o objetivo de defender a região de invasões de europeus e piratas, a fortaleza teve sua estrutura erguida com uma mistura de óleo de baleia e restos de concha.

Este material ainda compõe as paredes e alguns trechos podem ser vistos, como parte da exposição. Juliana explica: “Aqui tinha muita baleia, então, do lado de lá [Guarujá], era tirada a carne e o óleo [de baleia]. Esse óleo era unido com restos de conchas e crustáceos triturados para fazer uma argamassa, e eles colocavam as pedras e íam preenchendo com essa argamassa, como o cimento hoje em dia. As paredes do forte, da construção original, são todas assim”.



Juliana Veiga, guia no Forte São João
Costa Norte

Em sua tragetória, o Forte São João quase ruiu. Com o tempo foi tomado por musgos e plantas. Nesta parte da história, merece destaque a participação do escritor e pesquisador Mário de Andrade, que trabalhava no então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o atual Iphan.

Mário escreveu cartas que detalhavam a situação da fortaleza e pediam restaurações na edificação. A partir destes pedidos, o forte foi tombado, ou seja, protegido e reconhecido como patrimônio brasileiro, o que possibilitou a restauração, ocorrida entre 1941 e 1942.



Foto
Mário de Andrade foi um dos grandes responsáveis pela restauração do Forte São João - Reprodução/Biographical Encyclopedia

O que o Forte São João oferece

Atualmente, o Forte São João nos proporciona conhecer um pouco da nossa história por meio da exposição de vários elementos de época, como ferramentas indígenas, armaduras, quadros, e utensílios.

Na plataforma (parte superior do forte), ainda é possível observar os canhões e a guarita com o quais os defensores do local ficavam protegidos de ataques inimigos; estes equipamentos fazem parte de um incrível cenário composto pela praia e parte da serra do Guararú, do lado de Guarujá.



O acesso a essa plataforma, uma escada estreita e com declive acentuado, também guarda uma curiosidade de época, como explicou Juliana: “Ela (a escada) foi feita para quedas. Se tivesse invasão de fora para dentro, quem viesse correndo iria tropeçar e cair. Isso, naquela época, porque agora a gente tem acessibilidade, a plataforma elevatória para quem quiser conhecer lá em cima, que antes não conseguia, como idosos, deficientes, gestantes… Agora a gente tem democratização do acesso”, destacou.

Siga o Costa Norte no WhatsApp e receba as principais notícias do litoral de São Paulo

Uma luneta, doada recentemente pela Fundação Florestal, possibilita observação ampliada do Forte São Felipe, localizado do outro lado do canal de Bertioga, que, à época da construção, cruzava fogo com o Forte São João, na proteção da entrada do canal Bertioga. Foi neste canal que se abrigou o artilheiro alemão Hans Staden, que mais tarde escreveu o livro Duas Viagens ao Brasil  (título atual), um dos poucos registros da época sobre o país e a região, na qual  esteve entre 1548 e 1555.



Cuidados na visitação

A visitação à primeira fortaleza do país é gratuita, mas Juliana cita cuidados a serem tomados, como não entrar com trajes de banho, manter animais de estimação no colo ou na guia e não tocar nos objetos, pois o contato com a pele humana pode estragar as peças. “A epiderme absorve e acumula todo o material que encosta nela. A gente está na praia, suor, sal do mar, areia da praia, que tem os detritos orgânicos. Se a gente toca de uma forma inadequada numa peça, não só mancha, mas aquilo vai acumulando, vão surgindo fungos, bactérias e corrosão”, explicou.

Como agendar

A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 9h às 18 horas, guiada por monitores especializados na história da fortificação. Para visita individual, não é necessário realizar agendamento. O Forte São João fica na avenida Vicente de Carvalho, sem número, no Centro. Mais informações podem ser obtidas na Secretaria de Turismo e Cultura do município: (13) 33199150.

Acompanhe o Costa Norte no Google Notícias



Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!